Albio Melchioretto - colunista do Esporteemidia.com
albio.melchioretto@terra.com.br
@amelchioretto
A F1 e a Globo: da audiência a quase promiscuidade
Este é um dos temas bem falados nas últimas semanas. Diversos sites, comentaristas, blogueiros e mídia impressa, entre outros, tem dedicado tempo ao debate. Então trazer alguns apontados é um risco, mas buscarei não ficar no mais do mesmo. Aqui mesmo no site já o colunista Frederico Silveira esteve a comentar o tema de maneira muito competente. Quero dividir a reflexão em dois momentos, o primeiro é uma divagação sobre o que pude acompanhar no último grande prêmio, o da Hungria e na sequência apontar alguns elementos que vi em sites e comentaristas especializados. Parto do pressuposto que quando falo em F1 estou tratando de modo especial Rede Globo, deixando os elementos do Sportv de lado. O que motivou-me a escrever sobre fora as especulações que o canal aberto poderia deixar de transmitir o circo a partir do ano de 2016.
Nas últimas temporadas consegui acompanhar corridas por emissoras diferentes. Tudo graças aos streaming na rede mundial, e não o fiz por questões técnicas ou pirataria, mas pela curiosidade de ver como os “outros fazem” a F1. Nossos vizinhos estão a muito para chegarem no padrão Globo de transmissão. Independente da torcida pachecada do narrador. Mas nós não temos comerciais nos momentos do Safety Car e box como eles. A transmissão daqui conta com detalhes e comentários técnicos com a visão de ex-pilotos e da visão do jornalista especialista. Há câmeras espelhadas pelos carros. Enfim, existe aqui um mundo que por outras bandas não há. Não quero aqui discutir as opiniões dos transmissores, mas a qualidade da transmissão em si.
Porém não é apenas isto que conta ou que faz ou ainda faria a categoria perder e ganhar espaço na televisão aberta. Há outras problemáticas envolvidas. O Brasil ainda é líder mundial em telespectadores, mas isto tem diminuído. Hoje por aqui são 77 milhões de espectadores segundo a FOM. Mas há uma queda de audiência que é um fenômeno mundial e não apenas brasileiro. Em meio a queda vertiginosa há outra questão que permeia a televisão brasileira, de modo especial a Rede Globo que é a necessidade exagerada de criar ídolos. Os atletas e esportivas são apenas atletas e esportivas e pontos, não há legitimidade nesta criação. No treino do sábado do GP da Hungria vaza áudio da Globo com Galvão Bueno supostamente protegendo Massa. E aqui está o ponto central entre transmissão, jornalismo e entretenimento. Não é a falta de ídolos, mas a forma como um canal pretende produzi-los, seja pela ocultação de dados ou pela necessidade de mostrar um modelo esportivo para justificar a audiência. Sinto que o canal detentor dos direitos está mais preocupado com a audiência que com fatos. E aqui os números poderiam servir de alerta para mostrar que apesar de toda forma como se produz é preciso e urgente olhar para além de como ela está e questionar-se o que tem levado à queda da TV aberta em geral.
Mas o que há para além da primeira curva? O interesse de fazer uma linha editorial séria, mostrando os fatos, independente da bandeira não cabe mais no atual modelo de televisão? Será a saída para TV paga a solução para os aficionados deixando a TV aberta na briga pelas audiências com suas mazelas de costume? Ou vemos o esporte apenas pela necessidade da criação de um ídolo nacional que justifique as linhas abissais que separam realidade e ficção?
albio.melchioretto@terra.com.br
@amelchioretto
A F1 e a Globo: da audiência a quase promiscuidade
Este é um dos temas bem falados nas últimas semanas. Diversos sites, comentaristas, blogueiros e mídia impressa, entre outros, tem dedicado tempo ao debate. Então trazer alguns apontados é um risco, mas buscarei não ficar no mais do mesmo. Aqui mesmo no site já o colunista Frederico Silveira esteve a comentar o tema de maneira muito competente. Quero dividir a reflexão em dois momentos, o primeiro é uma divagação sobre o que pude acompanhar no último grande prêmio, o da Hungria e na sequência apontar alguns elementos que vi em sites e comentaristas especializados. Parto do pressuposto que quando falo em F1 estou tratando de modo especial Rede Globo, deixando os elementos do Sportv de lado. O que motivou-me a escrever sobre fora as especulações que o canal aberto poderia deixar de transmitir o circo a partir do ano de 2016.
Nas últimas temporadas consegui acompanhar corridas por emissoras diferentes. Tudo graças aos streaming na rede mundial, e não o fiz por questões técnicas ou pirataria, mas pela curiosidade de ver como os “outros fazem” a F1. Nossos vizinhos estão a muito para chegarem no padrão Globo de transmissão. Independente da torcida pachecada do narrador. Mas nós não temos comerciais nos momentos do Safety Car e box como eles. A transmissão daqui conta com detalhes e comentários técnicos com a visão de ex-pilotos e da visão do jornalista especialista. Há câmeras espelhadas pelos carros. Enfim, existe aqui um mundo que por outras bandas não há. Não quero aqui discutir as opiniões dos transmissores, mas a qualidade da transmissão em si.
Porém não é apenas isto que conta ou que faz ou ainda faria a categoria perder e ganhar espaço na televisão aberta. Há outras problemáticas envolvidas. O Brasil ainda é líder mundial em telespectadores, mas isto tem diminuído. Hoje por aqui são 77 milhões de espectadores segundo a FOM. Mas há uma queda de audiência que é um fenômeno mundial e não apenas brasileiro. Em meio a queda vertiginosa há outra questão que permeia a televisão brasileira, de modo especial a Rede Globo que é a necessidade exagerada de criar ídolos. Os atletas e esportivas são apenas atletas e esportivas e pontos, não há legitimidade nesta criação. No treino do sábado do GP da Hungria vaza áudio da Globo com Galvão Bueno supostamente protegendo Massa. E aqui está o ponto central entre transmissão, jornalismo e entretenimento. Não é a falta de ídolos, mas a forma como um canal pretende produzi-los, seja pela ocultação de dados ou pela necessidade de mostrar um modelo esportivo para justificar a audiência. Sinto que o canal detentor dos direitos está mais preocupado com a audiência que com fatos. E aqui os números poderiam servir de alerta para mostrar que apesar de toda forma como se produz é preciso e urgente olhar para além de como ela está e questionar-se o que tem levado à queda da TV aberta em geral.
Mas o que há para além da primeira curva? O interesse de fazer uma linha editorial séria, mostrando os fatos, independente da bandeira não cabe mais no atual modelo de televisão? Será a saída para TV paga a solução para os aficionados deixando a TV aberta na briga pelas audiências com suas mazelas de costume? Ou vemos o esporte apenas pela necessidade da criação de um ídolo nacional que justifique as linhas abissais que separam realidade e ficção?

