Frederico Silveira - colunista do Esporteemidia.com
Email: fredssil@hotmail.com
Facebook: frederico.dasilveira
Hoje a coluna vai ser diferente: ao invés de destacar alguns tópicos, vou falar sobre as notícias veiculadas por aqui, de que o futebol corre risco de sair da grade de programação da tv aberta. Essa é uma reflexão profunda, pois a mistura de fatores que levam a audiência a cair vertiginosamente são muitos, e de várias naturezas, e por isso mesmo muito mais difíceis de serem resolvidos.
A primeira coisa que se pensa, claro, é na perda da qualidade dos jogos do nosso futebol. De fato, assistimos a muitos jogos ruins nos nossos campeonatos, e as culpas são várias: o êxodo de bons jogadores para o exterior, e repatriação de jogadores em fim de carreira na Europa, o calendário apertado, a falência financeira geral dos clubes brasileiros, e por aí vai.
Concordando com esse argumento, me permito refletir: nos últimos anos, o Santos segurou Neymar, trouxe Robinho duas vezes da Europa, Ronaldinho Gaúcho voltou ao Brasil, Seedorf desembarcou por aqui, tivemos uma invasão de bons jogadores sul-americanos no nosso futebol, e por aí vai. Nas décadas de 80 e 90, não tínhamos isso; aliás, tinha muito jogo ruim nessa época, e ainda assim o futebol não perdia espaço na tv aberta.
Por outro lado, naquela época eram raríssimas as transmissões do futebol europeu. Lembro da Band com o campeonato italiano, depois com o espanhol, a Globo transmitindo uma ou outra decisão da então Copa dos Campeões, e ficamos por aí. Hoje em dia, cada sábado e cada domingo significa a transmissão de muitos jogos nos canais de tv fechada, e aí a concorrência fica desleal. Já experimentou assistir a um jogo, fraco que seja, da Premier League, e logo depois assistir a uma partida do Brasileirão? É de doer os olhos, de verdade. Ok, mas e a paixão do torcedor pelo seu time?
Bom, aí temos outro problema: hoje em dia, com os times em uma esquizofrênica mutação, fica muito mais difícil de rolar uma identificação dos torcedores com os atletas que vestem a camisa de seu clube. Assim, a produção de ídolos fica muito mais complicada de acontecer. E não tô falando de bons jogadores, ou destaques: tô falando daquele cara diferente, aquele que arrebata a admiração até de torcedores dos outros times, e que fazem o público parar na frente da tv para assisti-lo, como acontecia com Robinho e Neymar, nos últimos anos, por exemplo.
Então, cada vez mais uma partida do São Paulo só tem na audiência são-paulinos; do Flamengo, flamenguistas; e assim por diante. E mesmo dentro desse universo, temos uma queda constante de torcedores ativos, que não só assistem seu time pela tv, mas que vão aos estádios. Aliás, a falta de público nas partidas é outro fator de desestímulo para assistir às partidas pela tv: quer coisa mais chata do que assistir um jogo com pouca torcida?
Isso significa que a paixão dos torcedores diminuiu? Em absoluto. O AMBIENTE do futebol brasileiro não está propício para a formação de novos torcedores e para o arrebatamento do seu público contumaz. Tudo começa lá de cima: a CBF não tem respeito nenhum pelo torcedor, as Federações mudam datas e horários de jogos ao seu bel-prazer, os clubes fazem muito pouco efetivamente para encantar o seu público, e assim vamos assistindo às quedas constantes de audiência no futebolzinho do domingo à tarde. Não é raro vermos torcedores elegendo times europeus para torcer, e não se surpreendam se, em um curto espaço de tempo, alguns grandes clubes europeus competirem em número de torcedores com os clubes brasileiros.
E qual é o papel das emissoras de tv em tudo isso? A busca frenética pela audiência produz justamente o efeito contrário: o público de fora do eixo Rio-São Paulo não vai assistir aos jogos de times paulistas e cariocas, sempre em grande maioria, na Globo e na Band. Se sente um palhaço, porque os principais jogos do seu time só passam na tv fechada. E dentro do público de RJ/SP, tem muita gente que, mesmo quando os jogos do seu time passam na tv aberta, não assistem, porque a transmissão da fechada é melhor. E por que é melhor? Porque não está contaminada com a necessidade de buscar audiência. Fazem uma transmissão, na maioria das vezes, correta, informativa, sem puxar para algum lado, como sói acontecer na tv aberta. Cada vez mais, Globo e Band vão ganhando ares de "transmissão pastelão" do futebol. E a audiência, tão buscada? Caindo, sempre.
Tá mais do que na hora de CBF, Federações, clubes e emissoras se unirem para buscar uma solução. Não quero que mudem o mundo, que promovam uma revolução no futebol, nem nada parecido: basta que resgatem o torcedor, que está sendo alijado de todo o processo. Um calendário decente, campeonatos bem elaborados, finanças equilibradas, condições propícias para que os torcedores vão aos estádios e participem do processo; e que as emissoras sejam um suporte para tudo isso, preocupando-se em fazer seu trabalho da forma mais correta possível, entendendo exatamente o que o povo quer das transmissões, ao invés de ficar freneticamente buscando audiência e mudando o que não dá resultado rápido.
Se não fizerem isso, nosso futebol vai morrer, na tv e fora dela também. Mudemos enquanto é tempo, ou os domingos de Fla-Flu, Palmeiras x Corinthians, Gre-Nal, etc, vão virar domingos de United x City, Barça x Madrid, Milan x Juventus. É questão de tempo, e de escolha.
Cardápio do Findi
Enquanto não chega a hora de eu indicar a decisão da Supercopa da Inglaterra que vai acontecer no domingo, vamos exaltar os nossos clássicos: domingo, 16 horas, tem Santos x Corinthians e Gre-Nal. Que as audiências das tvs sejam positivas...
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Hoje a coluna vai ser diferente: ao invés de destacar alguns tópicos, vou falar sobre as notícias veiculadas por aqui, de que o futebol corre risco de sair da grade de programação da tv aberta. Essa é uma reflexão profunda, pois a mistura de fatores que levam a audiência a cair vertiginosamente são muitos, e de várias naturezas, e por isso mesmo muito mais difíceis de serem resolvidos.
A primeira coisa que se pensa, claro, é na perda da qualidade dos jogos do nosso futebol. De fato, assistimos a muitos jogos ruins nos nossos campeonatos, e as culpas são várias: o êxodo de bons jogadores para o exterior, e repatriação de jogadores em fim de carreira na Europa, o calendário apertado, a falência financeira geral dos clubes brasileiros, e por aí vai.
Concordando com esse argumento, me permito refletir: nos últimos anos, o Santos segurou Neymar, trouxe Robinho duas vezes da Europa, Ronaldinho Gaúcho voltou ao Brasil, Seedorf desembarcou por aqui, tivemos uma invasão de bons jogadores sul-americanos no nosso futebol, e por aí vai. Nas décadas de 80 e 90, não tínhamos isso; aliás, tinha muito jogo ruim nessa época, e ainda assim o futebol não perdia espaço na tv aberta.
Por outro lado, naquela época eram raríssimas as transmissões do futebol europeu. Lembro da Band com o campeonato italiano, depois com o espanhol, a Globo transmitindo uma ou outra decisão da então Copa dos Campeões, e ficamos por aí. Hoje em dia, cada sábado e cada domingo significa a transmissão de muitos jogos nos canais de tv fechada, e aí a concorrência fica desleal. Já experimentou assistir a um jogo, fraco que seja, da Premier League, e logo depois assistir a uma partida do Brasileirão? É de doer os olhos, de verdade. Ok, mas e a paixão do torcedor pelo seu time?
Bom, aí temos outro problema: hoje em dia, com os times em uma esquizofrênica mutação, fica muito mais difícil de rolar uma identificação dos torcedores com os atletas que vestem a camisa de seu clube. Assim, a produção de ídolos fica muito mais complicada de acontecer. E não tô falando de bons jogadores, ou destaques: tô falando daquele cara diferente, aquele que arrebata a admiração até de torcedores dos outros times, e que fazem o público parar na frente da tv para assisti-lo, como acontecia com Robinho e Neymar, nos últimos anos, por exemplo.
Então, cada vez mais uma partida do São Paulo só tem na audiência são-paulinos; do Flamengo, flamenguistas; e assim por diante. E mesmo dentro desse universo, temos uma queda constante de torcedores ativos, que não só assistem seu time pela tv, mas que vão aos estádios. Aliás, a falta de público nas partidas é outro fator de desestímulo para assistir às partidas pela tv: quer coisa mais chata do que assistir um jogo com pouca torcida?
Isso significa que a paixão dos torcedores diminuiu? Em absoluto. O AMBIENTE do futebol brasileiro não está propício para a formação de novos torcedores e para o arrebatamento do seu público contumaz. Tudo começa lá de cima: a CBF não tem respeito nenhum pelo torcedor, as Federações mudam datas e horários de jogos ao seu bel-prazer, os clubes fazem muito pouco efetivamente para encantar o seu público, e assim vamos assistindo às quedas constantes de audiência no futebolzinho do domingo à tarde. Não é raro vermos torcedores elegendo times europeus para torcer, e não se surpreendam se, em um curto espaço de tempo, alguns grandes clubes europeus competirem em número de torcedores com os clubes brasileiros.
E qual é o papel das emissoras de tv em tudo isso? A busca frenética pela audiência produz justamente o efeito contrário: o público de fora do eixo Rio-São Paulo não vai assistir aos jogos de times paulistas e cariocas, sempre em grande maioria, na Globo e na Band. Se sente um palhaço, porque os principais jogos do seu time só passam na tv fechada. E dentro do público de RJ/SP, tem muita gente que, mesmo quando os jogos do seu time passam na tv aberta, não assistem, porque a transmissão da fechada é melhor. E por que é melhor? Porque não está contaminada com a necessidade de buscar audiência. Fazem uma transmissão, na maioria das vezes, correta, informativa, sem puxar para algum lado, como sói acontecer na tv aberta. Cada vez mais, Globo e Band vão ganhando ares de "transmissão pastelão" do futebol. E a audiência, tão buscada? Caindo, sempre.
Tá mais do que na hora de CBF, Federações, clubes e emissoras se unirem para buscar uma solução. Não quero que mudem o mundo, que promovam uma revolução no futebol, nem nada parecido: basta que resgatem o torcedor, que está sendo alijado de todo o processo. Um calendário decente, campeonatos bem elaborados, finanças equilibradas, condições propícias para que os torcedores vão aos estádios e participem do processo; e que as emissoras sejam um suporte para tudo isso, preocupando-se em fazer seu trabalho da forma mais correta possível, entendendo exatamente o que o povo quer das transmissões, ao invés de ficar freneticamente buscando audiência e mudando o que não dá resultado rápido.
Se não fizerem isso, nosso futebol vai morrer, na tv e fora dela também. Mudemos enquanto é tempo, ou os domingos de Fla-Flu, Palmeiras x Corinthians, Gre-Nal, etc, vão virar domingos de United x City, Barça x Madrid, Milan x Juventus. É questão de tempo, e de escolha.
Cardápio do Findi
Enquanto não chega a hora de eu indicar a decisão da Supercopa da Inglaterra que vai acontecer no domingo, vamos exaltar os nossos clássicos: domingo, 16 horas, tem Santos x Corinthians e Gre-Nal. Que as audiências das tvs sejam positivas...
