Albio Melchioretto - colunista do Esporteemidia.com
albio.melchioretto@terra.com.br
@amelchioretto
Ética, Milton Neves e Datena
Na coluna desta semana quero pedir licença para os habituais leitores da mídia esportiva e refletir um pouco de conceitos filosóficos, afinal, há filosofia no nome deste espaço. O ser humano é um sujeito composto por diversas atitudes. Estas atitudes podem ser chamadas de condutas e elas são respostas de um estímulo mental, ou seja, é uma ação que se segue ao comando do cérebro. O comportamento também é uma resposta a um estímulo cerebral. Diante deste quadro entra a presença da ética, que alguns pensadores definem como estudo da conduta visando atitudes virtuosas. O pensador francês Cuvillier em 1947 escreveu que “através do exercício profissional, consegue o homem elevar seu nível moral promovendo sua capacidade e inteligência”. Apresento estes pressupostos para comentar o desagradável dissentimento de Milton Neves com José Luiz Datena na semana passada ao vivo na Rádio Bandeirantes (SP) AM. Quero de antemão afirmar que não vou defender nenhuma parte e muito menos retomar os detalhes, que foram suficientemente explorados ao longo da semana.
Milton e Datena, do grupo Bandeirantes, se estranham durante programa de rádio e áudio vaza ao vivo. Algumas ponderações sobre o fato. Milton é uma figura folclórica de tons pejorativos e muita brincadeira. Datena sentiu-se incomodado e tradicionalmente responde de maneira tempestiva contra aquilo que não concorda. Ele faz rádio e televisão criminalizando situações e Milton vive vendendo qualquer coisa de maneira informal. Mas nenhum deles está acima da linha do bem e do mal. Há uma tênue separação também entre o aceitável e as brincadeiras. E aqui sem importar com o conteúdo, esta linha foi rompida. Também há outra questão: qual o limite do jornalismo humorístico esportivo? Tudo pode ser dito e brincado pela audiência? Vivemos numa leifertização dos programas esportivos?
Ouvi diversas vezes o programa com a conversa de Milton com Neto, o comentário do Capitão Hidalgo pela Evangelizar AM de Curitiba e a volta de Datena após sua suspensão. Não vejo mocinhos na história. O diálogo de Milton com Neto é cheio de insinuações e falas veladas sobre terceiros. Parece uma conversa de botequim com indiretas indigestas para todos os lados e com piadas de mal gosto. O monólogo de Datena é uma grande invasão em todos os sentidos e somente é contida pela chamada de comerciais. Em nenhum momento houve uma preocupação com o público que poderia estar a ouvir, um pelos comentários e outro pela invasão e agressão verbal. Não quero julgar o conteúdo, mas quero chamar atenção pela conduta diante dos consumidores de mídia. E mesmo diante do problemas pessoais, as instituições envolvidas e o grupo de mídia devem estar acima. Deveria haver respeito pela instituição que contrata ambos. Mas esta crítica não é exclusiva à Bandeirantes. Ao ouvir o Mundo Esportivo da Evangelizar, embora o tom seja diferente, também rolou muitas indiretas aos profissionais de mídias. Mas a quem cabe esta conduta? Seria necessário isso ao público? E a tensão na volta de Datena ao Nossa Área na Bradesco não foi diferente. O pronunciamento inicial de Datena foi usado para justificar sua postura e não para se desculpar com o público.
Enfim, o que deve reger nossas condutas? A autodefesa; as brincadeiras de mal gosto disfarçadas de bom humor ou o interesse próprio? Um cidadão público ainda tem o direito de falar aos quatro ventos sem se importar com as proporções que tudo pode tomar? E a última questão provocativa: qual o limite entre o jornalismo esportivo e o entretenimento?
albio.melchioretto@terra.com.br
@amelchioretto
Ética, Milton Neves e Datena
Na coluna desta semana quero pedir licença para os habituais leitores da mídia esportiva e refletir um pouco de conceitos filosóficos, afinal, há filosofia no nome deste espaço. O ser humano é um sujeito composto por diversas atitudes. Estas atitudes podem ser chamadas de condutas e elas são respostas de um estímulo mental, ou seja, é uma ação que se segue ao comando do cérebro. O comportamento também é uma resposta a um estímulo cerebral. Diante deste quadro entra a presença da ética, que alguns pensadores definem como estudo da conduta visando atitudes virtuosas. O pensador francês Cuvillier em 1947 escreveu que “através do exercício profissional, consegue o homem elevar seu nível moral promovendo sua capacidade e inteligência”. Apresento estes pressupostos para comentar o desagradável dissentimento de Milton Neves com José Luiz Datena na semana passada ao vivo na Rádio Bandeirantes (SP) AM. Quero de antemão afirmar que não vou defender nenhuma parte e muito menos retomar os detalhes, que foram suficientemente explorados ao longo da semana.
Milton e Datena, do grupo Bandeirantes, se estranham durante programa de rádio e áudio vaza ao vivo. Algumas ponderações sobre o fato. Milton é uma figura folclórica de tons pejorativos e muita brincadeira. Datena sentiu-se incomodado e tradicionalmente responde de maneira tempestiva contra aquilo que não concorda. Ele faz rádio e televisão criminalizando situações e Milton vive vendendo qualquer coisa de maneira informal. Mas nenhum deles está acima da linha do bem e do mal. Há uma tênue separação também entre o aceitável e as brincadeiras. E aqui sem importar com o conteúdo, esta linha foi rompida. Também há outra questão: qual o limite do jornalismo humorístico esportivo? Tudo pode ser dito e brincado pela audiência? Vivemos numa leifertização dos programas esportivos?
Ouvi diversas vezes o programa com a conversa de Milton com Neto, o comentário do Capitão Hidalgo pela Evangelizar AM de Curitiba e a volta de Datena após sua suspensão. Não vejo mocinhos na história. O diálogo de Milton com Neto é cheio de insinuações e falas veladas sobre terceiros. Parece uma conversa de botequim com indiretas indigestas para todos os lados e com piadas de mal gosto. O monólogo de Datena é uma grande invasão em todos os sentidos e somente é contida pela chamada de comerciais. Em nenhum momento houve uma preocupação com o público que poderia estar a ouvir, um pelos comentários e outro pela invasão e agressão verbal. Não quero julgar o conteúdo, mas quero chamar atenção pela conduta diante dos consumidores de mídia. E mesmo diante do problemas pessoais, as instituições envolvidas e o grupo de mídia devem estar acima. Deveria haver respeito pela instituição que contrata ambos. Mas esta crítica não é exclusiva à Bandeirantes. Ao ouvir o Mundo Esportivo da Evangelizar, embora o tom seja diferente, também rolou muitas indiretas aos profissionais de mídias. Mas a quem cabe esta conduta? Seria necessário isso ao público? E a tensão na volta de Datena ao Nossa Área na Bradesco não foi diferente. O pronunciamento inicial de Datena foi usado para justificar sua postura e não para se desculpar com o público.
Enfim, o que deve reger nossas condutas? A autodefesa; as brincadeiras de mal gosto disfarçadas de bom humor ou o interesse próprio? Um cidadão público ainda tem o direito de falar aos quatro ventos sem se importar com as proporções que tudo pode tomar? E a última questão provocativa: qual o limite entre o jornalismo esportivo e o entretenimento?
