"

A violência e a censura a imprensa em Londrina, por Albio Melchioretto

Albio Melchioretto - colunista do Esporteemidia.com
albio.melchioretto@terra.com.br
@amelchioretto

A violência e a censura a imprensa em Londrina

A coluna de hoje falará de política conceitual para entender um pouco de selvagens que habitam campos de futebol.

O pensador russo, ou soviético como queiram, Trotsky num diálogo a Brest-Litovsk, afirmou que “todo estado se fundamenta na força”. O Estado, enquanto aparelho, existe para dar conta da violência. Se não houvesse atos violentes entre os sujeitos, não haveria necessidade de um Estado para controlar, via leis ou via forças, a violência existente. Sem bandidos não há necessidade de policiamento. Cabe ao Estado, no pensar de Trotsky, o monopólio sobre a força evitando que os sujeitos se violentem gratuitamente até a morte. Quem controla a violência detém o poder, e no caso do Estado, ele detém a legitimidade da força e do poder.

A partir desta introdução conceitual quero comentar algo que aconteceu no primeiro sábado do mês de novembro na semifinal da Série D do Brasileirão, entre Londrina Esporte Clube versus Grêmio Esportivo Brasil de Pelotas. Houve uma briga generalizada a partir dos trinta minutos do segundo tempo no campo do time paranaense e vários profissionais da mídia esportiva foram agredidos, ora física, ora moralmente e ora psicologicamente. Daniel Trzeciak, repórter e Jeferson Kickhofel, cinegrafistas foram agredidos por um diretor do Londrina que ameaçou os profissionais da imprensa exigindo que parassem de filma a baixaria protagonizada pelos jogadores e diretores. A violência não contida pelo Estado tomou conta do campo e ainda um imbecil (que não vou citar o nome) resolvei impedir a liberdade de impressa e o acesso a informação. No YouTube há a entrevista destes profissionais ao canal TVCOM de Porto Alegre relatando as condições vivenciadas. É lamentável a confusão, não quero entrar neste mérito, mas é tão ou mais lamentável a barbárie do impedimento à notícia. A imprensa está para registrar o espetáculo e noticiar os animais que pulam e saltam um sobre os outros.

A selvageria não acaba neste relato de agressão. O narrador da Rádio Pelotense, Eduardo Costa, sentiu-se intimidado na cabine de transmissão para realizar sua narração. Também no YouTube há registros da lamentável cena. Veja aqui. A existência de selvagens junto a torcida não é nenhuma novidade. O frangalho de nossos estádios também não. Agora, qual é o papel do Estado, que detém a legitimidade da força, para dar conta de tais problemas? Não é a agressão apenas que é problema, mas os profissionais envolvidos que são impedidos de realizar um trabalho decente.   O narrador teve que ficar acuado para não ser agredido por torcedores.

Há culpados? Não gosto deste termo, mas há sim. Alguns indicativos: (a) os nomes e sobrenomes dos irresponsáveis que permitem que estádios arcaicos recebam tais jogos sem oferecer meios para profissionais reportarem do picadeiro; (b) a idiotia dos gestores que envolveram-se na briga e promoveram a mediocridade do confronto físico; (c) a falta da gestão profissional do futebol brasileiro e (d) os selvagens que se transvestem de torcedores. E claro, o próprio Estado. Se ele detém a legitimidade da força como quesito de ordem, onde estava para prender e punir os que promovem a desordem e o crime contra a imprensa? A impunidade imediata sugere que vivemos num espaço sem Estado. Ele existe, mas não funciona em alguns casos como deveras funcionar.


Postar um comentário

O que achou dessa informação? Compartilhe conosco!

Os comentários ofensivos serão apagados.

O teor dos comentários é de total responsabilidade dos leitores.

Postagem Anterior Próxima Postagem