Frederico Silveira - colunista do Esporteemidia.com
Email: fredssil@hotmail.com
Facebook: frederico.dasilveira
Autenticidade x Padronização
Qual é o limite entre a autenticidade dos profissionais de mídia (principalmente rádio e televisão) e a observação dos protocolos comportamentais?
Pensei muito nisso no final de semana passado, quando acompanhei as transmissões do ATP Masters, torneio que reúne os principais ranqueados do tênis mundial, pelo Sportv. Os comentários foram feitos pelo nosso campeão Guga Kuerten, sempre um show de simplicidade e autenticidade.
E ele cumpriu à risca a missão de ser simples e informativo: trouxe ótimas explicações mais "técnicas" sobre os comportamentos dos tenistas nas partidas, informando exatamente ao telespectador o que estava se passando e o que iria acontecer nas próximas jogadas.
Mas o show mesmo foi quando o Guga foi Guga: "Como ele conseguiu isso?" exclamou após o campeão Djokovic acertar uma bola impossível na partida contra Ken Nishimura. Vez por outra, ele simplesmente ria, encantado com alguma bela jogada. Era como ver o jogo com um amigo que entende muito de tênis. Genial, espetacular, tomara que o Sportv continue trazendo gente que nem o Guga para comentar, dando uma cara mais popular para esportes mais técnicos e sisudos como o tênis.
Por outro lado, existem casos onde os limites da autenticidade são ultrapassados, quando apresentadores ou participantes de programas esportivos perdem a cabeça e desferem impropérios no ar.
Já cansamos de ver e ouvir brigas ao vivo, mas aqui no Sul houve um caso emblemático: no programa Sala de Redação, da Rádio Gaúcha, os jornalistas Paulo Sant'anna e Kenny Braga trocaram insultos no ar. "Vai gritar com a tua mãe", disse o primeiro; "A tua, filho da p.",. respondeu o segundo, que foi demitido no dia seguinte, enquanto o outro foi suspenso por tempo indeterminado do programa.
Embora divirtam e movimentem as redes sociais, tais comportamentos são condenáveis, porque são um mau exemplo para as crianças e adolescentes que possam estar assistindo ao programa, e geram violência, além de ser sinal evidente de má educação.
Mas vou confessar que, ao pensar nos ambientes dos estádios de futebol, por exemplo, (cada vez menos) frequentados pelos mesmos jovens, tendo a pensar que tais comportamentos dos programas são uma ínfima parte de toda a violência e má educação a que assistimos em nossas praças esportivas.
Entre um comportamento engessado, certinho, protocolar, e um autêntico, verdadeiro e espontâneo, prefiro muito mais o segundo, ainda que reconheça a importância de aparar os excessos dessa conduta mais livre.
Será que não é esse um caminho para lutar contra a pasteurização da mídia brasileira, na robotização das entrevistas dos atletas, nas mentiras contadas pelos dirigentes?
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Autenticidade x Padronização
Qual é o limite entre a autenticidade dos profissionais de mídia (principalmente rádio e televisão) e a observação dos protocolos comportamentais?
Pensei muito nisso no final de semana passado, quando acompanhei as transmissões do ATP Masters, torneio que reúne os principais ranqueados do tênis mundial, pelo Sportv. Os comentários foram feitos pelo nosso campeão Guga Kuerten, sempre um show de simplicidade e autenticidade.
E ele cumpriu à risca a missão de ser simples e informativo: trouxe ótimas explicações mais "técnicas" sobre os comportamentos dos tenistas nas partidas, informando exatamente ao telespectador o que estava se passando e o que iria acontecer nas próximas jogadas.
Mas o show mesmo foi quando o Guga foi Guga: "Como ele conseguiu isso?" exclamou após o campeão Djokovic acertar uma bola impossível na partida contra Ken Nishimura. Vez por outra, ele simplesmente ria, encantado com alguma bela jogada. Era como ver o jogo com um amigo que entende muito de tênis. Genial, espetacular, tomara que o Sportv continue trazendo gente que nem o Guga para comentar, dando uma cara mais popular para esportes mais técnicos e sisudos como o tênis.
Por outro lado, existem casos onde os limites da autenticidade são ultrapassados, quando apresentadores ou participantes de programas esportivos perdem a cabeça e desferem impropérios no ar.
Já cansamos de ver e ouvir brigas ao vivo, mas aqui no Sul houve um caso emblemático: no programa Sala de Redação, da Rádio Gaúcha, os jornalistas Paulo Sant'anna e Kenny Braga trocaram insultos no ar. "Vai gritar com a tua mãe", disse o primeiro; "A tua, filho da p.",. respondeu o segundo, que foi demitido no dia seguinte, enquanto o outro foi suspenso por tempo indeterminado do programa.
Embora divirtam e movimentem as redes sociais, tais comportamentos são condenáveis, porque são um mau exemplo para as crianças e adolescentes que possam estar assistindo ao programa, e geram violência, além de ser sinal evidente de má educação.
Mas vou confessar que, ao pensar nos ambientes dos estádios de futebol, por exemplo, (cada vez menos) frequentados pelos mesmos jovens, tendo a pensar que tais comportamentos dos programas são uma ínfima parte de toda a violência e má educação a que assistimos em nossas praças esportivas.
Entre um comportamento engessado, certinho, protocolar, e um autêntico, verdadeiro e espontâneo, prefiro muito mais o segundo, ainda que reconheça a importância de aparar os excessos dessa conduta mais livre.
Será que não é esse um caminho para lutar contra a pasteurização da mídia brasileira, na robotização das entrevistas dos atletas, nas mentiras contadas pelos dirigentes?

