Albio Melchioretto - colunista do Esporteemidia.com
albio.melchioretto@terra.com.br
@amelchioretto
Capitalismo, televisão e Nordeste
Antes de iniciar o texto hodierno quero reportar-me ao anterior. Na semana que passou recebi diversos e-mails e algumas menções no Twitter. Alguns elogios e outras críticas. Até escrevi em meu blog que, para aquele que escreve, o importante é tirar o leitor da zona de conforto. Independe de concordar ou não, o importante é formar opinião, triste é quando o leitor permanece indiferente. Mas, semana passa, coluna nova, porque sempre há assunto novo. Hoje quero abrir a temática falando do capitalismo. Segundo alguns manuais de Sociologia o capitalismo é um sistema econômico em que os meios de produção e distribuição são de propriedade privada e com fins lucrativos; decisões sobre oferta, demanda, preço, distribuição e investimentos não são feitos pelo governo. Então os lucros são distribuídos para os proprietários que investem em empresas e os salários são pagos aos trabalhadores pelas empresas, sem ou quase nenhuma interferência do Estado. É dominante no mundo ocidental desde o final do feudalismo. Vivemos nós num sistema capitalista de livre concorrência.
Falo do capitalismo para entrar na temática dos estaduais. Há pelo menos uma década atrás alguém conseguiria imaginar uma discussão sobre os campeonatos estaduais fora do grande eixo? A entrada da Record, nos anos 2000 na briga por direitos de vários estaduais fora do eixo trouxe algumas mudanças significativas de paradigma. Muitos estaduais renegados na televisão ganharam espaço e disputadas. Esta semana tivemos a oficialização e divulgação da TV Sergipe (filiada da Rede Globo) para transmição em canal aberto do Sergipão. Já o Esporte Interativo Nordeste anuncia o Cearense em canal fechado. O canal da Globo terá exclusividade de cinco anos, passando o Esporte Interativo a transmiti-lo somente na fechada. No que tange o cearense mostrará mais de 300 horas de programação sobre o futebol cearense. Das vinte e sete federações, apenas cinco não tem estaduais transmitidos pela televisão.
Há algumas semanas critiquei o canal de foco regional da TopSports, Esporte Interativo Nordeste, por ser apenas, até agora, um canal de seis meses de programação. As críticas continuam. Sou também um crítico dos estaduais. Da forma como estão estruturados não faz sentido sua existência. Mas o que vemos na televisão é a busca pelos direitos de transmissão e uma proposta rentável de tornar tais competições um atrativo lucrativo, pelo menos. Somente o Esporte Interativo teria investido 100 milhões de reais na transmissão regional de competições do Nordeste brasileiro. É muito importante para o desenvolvimento do futebol profissional do país que o produto futebol esteja na vitrine televisa. Não é possível pensar o futebol profissional sem uma janela de exposição. Ao mesmo tempo isto pode consistir um problema. Quando o produto submete-se a vontade única e exclusiva de seus exibidores e não encontra outras formas de lucro cria-se uma dependência torna-se um problema. Volto aqui um ponto abordado na coluna passada, é preciso profissionalismo na gestão e não apenas dentro das linhas do campo. A televisão deveria ser apenas uma janela expositora e não a principal fonte de lucro. O que é outro problema de nossa má gestão.
Mas mesmo diante das cifras, há pessoas mais quem podem ganhar que somente os exibidores e os clubes. Quem pode vir a ganhar também é o torcedor que ganha opções para acompanhar seu clube de torcida. Claro que tudo é mediado por um valor. Um parêntese: só para deixar claro não defendo o modo estatal argentino. Mas como estamos em um sistema capitalista, muitas vezes selvagem e perverso, tudo gira em torno de valores monetários. Agora torcedor, qual é o preço que você está disposto a pagar para ver seu time?
albio.melchioretto@terra.com.br
@amelchioretto
Capitalismo, televisão e Nordeste
Antes de iniciar o texto hodierno quero reportar-me ao anterior. Na semana que passou recebi diversos e-mails e algumas menções no Twitter. Alguns elogios e outras críticas. Até escrevi em meu blog que, para aquele que escreve, o importante é tirar o leitor da zona de conforto. Independe de concordar ou não, o importante é formar opinião, triste é quando o leitor permanece indiferente. Mas, semana passa, coluna nova, porque sempre há assunto novo. Hoje quero abrir a temática falando do capitalismo. Segundo alguns manuais de Sociologia o capitalismo é um sistema econômico em que os meios de produção e distribuição são de propriedade privada e com fins lucrativos; decisões sobre oferta, demanda, preço, distribuição e investimentos não são feitos pelo governo. Então os lucros são distribuídos para os proprietários que investem em empresas e os salários são pagos aos trabalhadores pelas empresas, sem ou quase nenhuma interferência do Estado. É dominante no mundo ocidental desde o final do feudalismo. Vivemos nós num sistema capitalista de livre concorrência.
Falo do capitalismo para entrar na temática dos estaduais. Há pelo menos uma década atrás alguém conseguiria imaginar uma discussão sobre os campeonatos estaduais fora do grande eixo? A entrada da Record, nos anos 2000 na briga por direitos de vários estaduais fora do eixo trouxe algumas mudanças significativas de paradigma. Muitos estaduais renegados na televisão ganharam espaço e disputadas. Esta semana tivemos a oficialização e divulgação da TV Sergipe (filiada da Rede Globo) para transmição em canal aberto do Sergipão. Já o Esporte Interativo Nordeste anuncia o Cearense em canal fechado. O canal da Globo terá exclusividade de cinco anos, passando o Esporte Interativo a transmiti-lo somente na fechada. No que tange o cearense mostrará mais de 300 horas de programação sobre o futebol cearense. Das vinte e sete federações, apenas cinco não tem estaduais transmitidos pela televisão.
Há algumas semanas critiquei o canal de foco regional da TopSports, Esporte Interativo Nordeste, por ser apenas, até agora, um canal de seis meses de programação. As críticas continuam. Sou também um crítico dos estaduais. Da forma como estão estruturados não faz sentido sua existência. Mas o que vemos na televisão é a busca pelos direitos de transmissão e uma proposta rentável de tornar tais competições um atrativo lucrativo, pelo menos. Somente o Esporte Interativo teria investido 100 milhões de reais na transmissão regional de competições do Nordeste brasileiro. É muito importante para o desenvolvimento do futebol profissional do país que o produto futebol esteja na vitrine televisa. Não é possível pensar o futebol profissional sem uma janela de exposição. Ao mesmo tempo isto pode consistir um problema. Quando o produto submete-se a vontade única e exclusiva de seus exibidores e não encontra outras formas de lucro cria-se uma dependência torna-se um problema. Volto aqui um ponto abordado na coluna passada, é preciso profissionalismo na gestão e não apenas dentro das linhas do campo. A televisão deveria ser apenas uma janela expositora e não a principal fonte de lucro. O que é outro problema de nossa má gestão.
Mas mesmo diante das cifras, há pessoas mais quem podem ganhar que somente os exibidores e os clubes. Quem pode vir a ganhar também é o torcedor que ganha opções para acompanhar seu clube de torcida. Claro que tudo é mediado por um valor. Um parêntese: só para deixar claro não defendo o modo estatal argentino. Mas como estamos em um sistema capitalista, muitas vezes selvagem e perverso, tudo gira em torno de valores monetários. Agora torcedor, qual é o preço que você está disposto a pagar para ver seu time?

