Alipio Jr. - colunista do Esporteemidia.com
@alipiojr
Lutando pelo direito do seu nome
Nossos clubes de futebol possuem sonhos distintos. Os do Rio de Janeiro, ainda atrás de boa parte do resto do país, estruturalmente falando, sonham com seus estádios. Como os clubes de outras regiões ou já possuem ou forão agraciados no Feirão Copa do Mundo da construção e agora não são mais órfãos de lar, sonham em dar nome ao local. Mas não é um apelidinho ou um nome legal, que sirva de referência. Querem que uma empresa compre o direito de associar seu produto, sua marca e assim, nomear o estádio, arena ou o campo de futebol, se assim preferir. Esse é o sonho de boa parte dos clubes, o de ter o seu NAMING RIGHTS e em contrapartida, ver alguns milhões pingar na conta por algo tão singelo. E aí começa a celeuma.
Em 1973, o Buffalo Bills, clube da NFL (National Football League) recebeu US$ 1,5 milhão de dólares por 25 anos, da Rich Products e o nome do estádio durante todo esse tempo foi Rich Stadium. Ainda na NFL, o tradicional São Francisco 49ers, firmou acordo com a gigante de tecnologia americana Intel. Esta adquiriu o Naming Rights da área de pedestres (!) e em troca prometia melhorar a experiência da ida ao estádio, com um atrativo pacote de hospitalidade. Em 2012, o Brasil enfrentou o México no estádio do Dallas Cowboys, que hoje se chama AT&T Stadium, pois a tradicional empresa de telefonia paga cerca de R$ 42 milhões por ano, por um período não divulgado. Aí antes que você chama de utopia americana, transportemos isso para o futebol. O Barclays Bank pagou, por um contrato de 3 anos que se encerrará na temporada 2015/16, cerca de quase 400 milhões de reais para que a principal competição nacional da Inglaterra seja chamada de Barclays Premier League. E os clubes constantemente estão vendendo o nome dos seus estádios. O atual campeão Manchester City, chama-se Etihad Stadium, só para dar um único exemplo. E por fim, esta semana o Real Madrid afirmou ter fechado um contrato de aproximadamente R$ 9 milhões por ano, podendo chegar a R$ 20 milhões, para que o tradicional Santiago Bernabeu mude para um nome ainda não escolhido.
Tudo isso nos mostra que vender o Naming Rights é algo que agrega muito valor e pode tornar-se uma importante fonte de renda para o clube. E parte da imprensa anunciou com satisfação que o Palmeiras iria inaugurar seu estádio já tendo o naming rights vendido para a seguradora Allianz por 20 anos anos, podendo ser renovado por mais 10 e que renderia aos cofres do clube, um valor estimado de cerca de 300 milhões de reais. E aí a dona Rede Globo, detentora dos direitos de transmissão, maior expositora do produto, maior interessada em que haja valorização do produto comercializado, maior preocupada - segundo ela - em ajudar no fortalecimento dos clubes, simplesmente ignorou essa informação, chamando-o de Arena Palmeiras, Arena Palestra e por aí vai. Tudo por que ela acha que vai expor um produto de graça. De graça não! O cara pagou caro para ter o nome dele exposto!
O mais curioso disso é que a ESPN demonstrou respeito aceitando o nome do estádio. A FOX Sports já fazia isso antes e muito bem, inclusive chama a Premier League utilizando o "Barclays" do patrocinador. Mas a Rede Globo acha ruim citar um relés nome em sua programação. Ora, que empresa terá coragem de torrar milhões em um negócio, ao notar que o estádio vai ganhar um apelidinho que será repetido exaustivamente e o seu verdadeiro nome será ignorado? E se a dona do negócio defende tanto o crescimento dos clubes, deveria incentivar que isso ocorresse, pois aí menos clubes viveriam de pires na mão e poderiam ter seus estádios construídos com patrocinadores.
Tal prática já rende o papelão no vôlei. O canal Sportv que transmite a Superliga tenta a todo custo não citar o nome dos times, que são misturados aos patrocinadores que garantem nada mais nada menos que a sobrevivência destes e do esporte em algumas cidades. Essa recusa no nome renderá uma situação curiosa em 2015. O time do Red Bull disputará a 1a divisão paulista e já avisou desde já que não aceita outro nome que não o seu. E muito menos RBR, como a emissora insiste em fazer com os carros de F1, como se todos fossem trouxas e não soubessem o nome da escuderia.
Acho que os clubes que lutaram tanto para terem seus estádios e para negociar esses valores, deveriam lutar pelo direito do seu nome. Nada mais justo.
Abraços...
@alipiojr
Lutando pelo direito do seu nome
Nossos clubes de futebol possuem sonhos distintos. Os do Rio de Janeiro, ainda atrás de boa parte do resto do país, estruturalmente falando, sonham com seus estádios. Como os clubes de outras regiões ou já possuem ou forão agraciados no Feirão Copa do Mundo da construção e agora não são mais órfãos de lar, sonham em dar nome ao local. Mas não é um apelidinho ou um nome legal, que sirva de referência. Querem que uma empresa compre o direito de associar seu produto, sua marca e assim, nomear o estádio, arena ou o campo de futebol, se assim preferir. Esse é o sonho de boa parte dos clubes, o de ter o seu NAMING RIGHTS e em contrapartida, ver alguns milhões pingar na conta por algo tão singelo. E aí começa a celeuma.
Em 1973, o Buffalo Bills, clube da NFL (National Football League) recebeu US$ 1,5 milhão de dólares por 25 anos, da Rich Products e o nome do estádio durante todo esse tempo foi Rich Stadium. Ainda na NFL, o tradicional São Francisco 49ers, firmou acordo com a gigante de tecnologia americana Intel. Esta adquiriu o Naming Rights da área de pedestres (!) e em troca prometia melhorar a experiência da ida ao estádio, com um atrativo pacote de hospitalidade. Em 2012, o Brasil enfrentou o México no estádio do Dallas Cowboys, que hoje se chama AT&T Stadium, pois a tradicional empresa de telefonia paga cerca de R$ 42 milhões por ano, por um período não divulgado. Aí antes que você chama de utopia americana, transportemos isso para o futebol. O Barclays Bank pagou, por um contrato de 3 anos que se encerrará na temporada 2015/16, cerca de quase 400 milhões de reais para que a principal competição nacional da Inglaterra seja chamada de Barclays Premier League. E os clubes constantemente estão vendendo o nome dos seus estádios. O atual campeão Manchester City, chama-se Etihad Stadium, só para dar um único exemplo. E por fim, esta semana o Real Madrid afirmou ter fechado um contrato de aproximadamente R$ 9 milhões por ano, podendo chegar a R$ 20 milhões, para que o tradicional Santiago Bernabeu mude para um nome ainda não escolhido.
Tudo isso nos mostra que vender o Naming Rights é algo que agrega muito valor e pode tornar-se uma importante fonte de renda para o clube. E parte da imprensa anunciou com satisfação que o Palmeiras iria inaugurar seu estádio já tendo o naming rights vendido para a seguradora Allianz por 20 anos anos, podendo ser renovado por mais 10 e que renderia aos cofres do clube, um valor estimado de cerca de 300 milhões de reais. E aí a dona Rede Globo, detentora dos direitos de transmissão, maior expositora do produto, maior interessada em que haja valorização do produto comercializado, maior preocupada - segundo ela - em ajudar no fortalecimento dos clubes, simplesmente ignorou essa informação, chamando-o de Arena Palmeiras, Arena Palestra e por aí vai. Tudo por que ela acha que vai expor um produto de graça. De graça não! O cara pagou caro para ter o nome dele exposto!
O mais curioso disso é que a ESPN demonstrou respeito aceitando o nome do estádio. A FOX Sports já fazia isso antes e muito bem, inclusive chama a Premier League utilizando o "Barclays" do patrocinador. Mas a Rede Globo acha ruim citar um relés nome em sua programação. Ora, que empresa terá coragem de torrar milhões em um negócio, ao notar que o estádio vai ganhar um apelidinho que será repetido exaustivamente e o seu verdadeiro nome será ignorado? E se a dona do negócio defende tanto o crescimento dos clubes, deveria incentivar que isso ocorresse, pois aí menos clubes viveriam de pires na mão e poderiam ter seus estádios construídos com patrocinadores.
Tal prática já rende o papelão no vôlei. O canal Sportv que transmite a Superliga tenta a todo custo não citar o nome dos times, que são misturados aos patrocinadores que garantem nada mais nada menos que a sobrevivência destes e do esporte em algumas cidades. Essa recusa no nome renderá uma situação curiosa em 2015. O time do Red Bull disputará a 1a divisão paulista e já avisou desde já que não aceita outro nome que não o seu. E muito menos RBR, como a emissora insiste em fazer com os carros de F1, como se todos fossem trouxas e não soubessem o nome da escuderia.
Acho que os clubes que lutaram tanto para terem seus estádios e para negociar esses valores, deveriam lutar pelo direito do seu nome. Nada mais justo.
Abraços...

