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O futebol feminino deveria estar na televisão pública, por Albio Melchioretto

Albio Melchioretto - colunista do Esporteemidia.com
albio.melchioretto@terra.com.br
@amelchioretto

O futebol feminino deveria estar na televisão pública

Segundo o pensador francês Jean-Paul Satre* o [preconceito] parece ser ao mesmo tempo um gosto subjetivo que se compõe com outros gostos a fim de formar a pessoa e um fenômeno impessoal e social capaz de expressar-se por algarismos e medias condicionado por constantes econômicos, históricos e políticos. Algo terrível que toma conta do sistema e entranha-se por meio de nós que interligam elementos constantes conforme Sartre nos alerta. Ao pensar o futebol encontramos diversos algarismos que expressam no preconceito acerca do futebol feminino. Tão impessoal que permanece ausente da grande mídia.

Na última de novembro a Associação Ferroviária de Esportes levantou o caneco do Campeonato Brasileiro ao vencer a Associação Esportiva Kindermann. Também o São José Esporte Clube faturou a Libertadores e o Mundial de Clubes da FIFA. Na mídia televisiva apenas o brasileiro pintou. Um jogo por rodada ao vivo no Fox Sports, com reprise no BandSports e as finais na televisão aberta pública através da TV Brasil. Já as conquistas das meninas do Vale do Paraíba ficaram bem escondidas, nada de Libertadores, muitos menos de Mundial. A final do futebol feminino universitário americano passara na madrugada de domingo para segunda, em gravação no pífio horário das 4 da matina e tão somente este jogo. 

Trago este tema para a coluna desta semana por dois motivos, a ausência e a exposição. Começo pela exposição. Nos próximos dias pintará na tela dos canais do grupo Bandeirantes o tradicional torneio amistoso de seleções de final de ano. Ao ouvir algumas rádios comentando a competição surge o questionamento sobre a ausência do futebol feminino das discussões e da grande mídia. Vejo isto como uma crítica à própria mídia. Durante as raras transmissões da categoria é sistêmico comentários críticos sobre o descaso que a categoria é tratada. Ao mesmo tempo que percebemos as críticas vemos os mesmos veículos que criticam além daquilo que é minimamente mostrado. Critica-se a ausência mas não há atitudes para eliminar a ausência. Aqui entraria muito bem o papel da televisão pública brasileira e seus diversos canais obrigatórios em televisão paga e presentes no sistema digital que poderiam promover tais competições e a categoria em si. É, no mínimo, inaceitável que torneios internacionais como a Libertadores e o Mundial ausentes da televisão. A televisão pública poderia estar presente de maneira efetiva no futebol das mulheres. Não é uma questão de índice de audiência, mas é uma proposta de pôr na vitrine o que temos e o potencial que poderia ser explorado. Mas, a grande mídia, capitalista, perde-se na impessoalidade que tal fenômeno de audiência traz e nada mostra. Por isso que sugiro a televisão pública como saída para o futebol feminino, pois ela está aquém das discussões poderia promover o esporte conforme nossa atual constituição assinala no artigo número 217. A promoção do esporte é uma questão nacional e que deve ser explorado nos períodos entre Olimpíadas, pois nela, ouviremos diversos discursos hipócritas condenando a ausência entre-jogos, mas pouco tem-se feito.

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* SARTRE, Jean- Paul. Reflexões sobre o racismo: reflexões sobre a questão judaica. São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1965, p. 8.

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