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GG tem uma atitude PP, por Albio Melchioretto #26

Albio Melchioretto - colunista do Esporteemidia.com
albio.melchioretto@terra.com.br
@amelchioretto

Na coluna de hoje quero falar da estapafúrdia postura do Sportv no domingo passado no amistoso Palmeiras vs Red BullBrasil. A postura já foi descrita aqui pelo Esporte e Mídia no começo da semana e devidamente comentada pelo Carlos Salvador em sua coluna sexta-feira passada. Carlos foi muito feliz ao chamar a postura do canal Globosat de “ridículo” e um gesto de “total pequenez”.  Ribamar situa o leitor afirmando “o SporTV, emissora da Globosat, mudou o nome e até o escudo do Red Bull Brasil durante a transmissão da partida que a equipe realizou contra o Palmeiras, neste domingo (25), e que foi mostrado pelo canal”. A todo este contexto, quero refletir sobre a importância da marca no futebol.

Na obra Direito das Marcas, Maurício Lopes de Oliveira (Lumes Juris, 2004) cita que ao designar um produto, mercadoria ou serviço, a marca serve, tradicionalmente, para assinalar a sua origem. No caso do clube taurino a marca identifica uma história corporativa pautada numa case de sucesso reconhecida internacionalmente. Até mesmo um desavisado do futebol ao ver a camisa do RedBull vai entender muito sobre o clube. Aliás, muito sobre o esporte: futebol no Brasil; Alemanha; Suíça e Estados Unidos; investimentos nos esportes radicais e nos motores (em especial duas equipes na F1). E junto com isto não está apenas um planejamento estratégico de marketing, mas uma filosofia de esporte. A marca é uma propriedade de significação.

A atitude da GG, ops, Grupo Globo, evidencia apropriação indevida sobre a marca de outrem. Um desserviço ao esporte. Esta postura incabível vem de outros tempos quando assassina os clubes de Basquete e Vôlei, minimiza a RedBull Racing e Squadra Toro Rosso e agora chega ao futebol. A apropriação indevida cria marcas inexistentes. Não existe o RB Brasil, nem mesmo a RBR. E o Grupo Globo ao desconstruir o RedBull Brasil transforma-o em algo que sua marca não evidencia. Qual a diferença em citar Palmeiras e não citar RedBull? Ambos não são, por acaso, marcas? São signos de apropriação que não pertencem a um grupo de televisão. Mas pertencem ao torcedor, a história do esporte, a nossa constituição de signos.

Em contrapartida, os clubes, como o RedBull Brasil deveriam exigir nos contratos de transmissão a nomenclatura correta de seus nomes, bem como de seus estádios. Não existe Arena Palmeiras, nem mesmo Itaquera só para trazer outro descaso à tona. Não é possível entender como marcas de expressão conseguem se apequenar mais que a pequenez da transmissora.

Para concluir, quero trazer a memória do amigo leitor outros exemplos que tivemos aqui em nossos gramados. No final da década de noventa tivemos o EttiJundiai que tornou-se Lousano Paulista e voltou a chamar-se Paulista, se não falha minha memória. Nos anos cinquenta e sessenta o futebol catarinense contou com o Perdigão que chegou a levantar o certame estadual. O início do futebol fora atrelado a empresas ferroviárias no estado de São Paulo que ostentavam seus nomes. O que RedBull Brasil faz não é novidade. O que o Grupo Globo faz é prejuízo.


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