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O paternalismo brasileiro, por Alipio Jr. #39

Galvão Bueno é um tutor dos pilotos brasileiros na F1, diz colunista
Nós brasileiros temos uma ânsia pela vitória maior do que pelo resultado positivo, face às adversidades.

Começo esta semana já com uma afirmação ousada, motivado pelo que vi na Fórmula 1 neste final de semana.

Na época da Copa do Mundo, no já longínquo 2014, Paulo Bonfá falou sobre como Galvão Bueno atrapalhava o surgimento de novos narradores, por ter estabelecido um padrão que deu certo por um tempo e foi muito copiado. E esse padrão que outrora já foi bom, hoje serve para demonstrar apenas um paternalismo desnecessário na F1.

Recordo-me com saudades, da minha infância na frente da tevê, para assistir o automobilismo junto com o meu pai. E boa parte dessa minha paixão, foi cunhada pelos campeões da época, pelos embates de Senna e Piquet e pela narração enfática de Galvão Bueno.

Há alguns meses atrás, falei sobre o problema da Rede Globo de não fomentar o esporte e apenas os pilotos brasileiros e como isso é determinante para os baixos índices de audiência. Pois é.

Ao assistir a transmissão do Grande Prêmio do Bahrein, comparando com a das últimas décadas e principalmente com a longínqua década de 80, notei como Galvão assumiu-se como pai/ tutor/ defensor/ Mestre Jedi de cada brasileiro que sente num cockpit.

É sabido que por ser o único narrador da emissora na F1, ficou muito próximo aos pilotos. Senna era frequente na sua casa e seus filhos disseram que este foi um grande motivador para que também se tornassem pilotos. Num dos seus livros, Renato Maurício Prado, que foi repórter por um tempo, contou várias histórias da convivência destes. Até por isso, Galvão virou referência para esses pilotos.

Até aí, tudo bem.

O problema é que desde a trágica morte de Senna, Galvão passou a proteger os pilotos de um jeito paternal. Barrichello foi vice campeão, mas passou quase uma década sofrendo para acompanhar Schumacher e nas demais escuderias, nunca foi mais que mediano. Entretanto, lá estava Galvão para enaltecer suas qualidades.

Mais ou menos como fez com Massa na corrida do Bahrein. Excetuando o vice campeonato, quando poderia ter sido campeão, se não fosse a atitude covarde e de má índole, de Nelsinho Piquet, Massa demonstrou ser um bom piloto, mas longe do hype dos campeões. Na última temporada e nesta, anda sempre atrás de Bottas e lá está Galvão para justificar seus seguidos insucessos.

No que isso ajuda o esporte? Normalmente vira motivo de chacota e apenas mascara as limitações do próprio piloto. Não duvido do talento desses e da capacidade de queimarem minha língua, apenas não os vi fazer nada parecido, nesses mais de 20 anos.

Por isso, Galvão Bueno, quero te pedir: Pode defender, pode ser pai, pode até justificar, mas ao menos seja coerente. Por favor.

Abraços.
Alipio Jr. - colunista do Esporteemidia.com
@alipiojr










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