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Rádio ESPN: ela não está mais entre nós, por Albio Melchioretto #40

Colunista fala sobre o fim da Rádio ESPN
No texto de hoje não coloco-me apenas como colunista, mas observo o fato como espectador também.

O projeto da Rádio ESPN no Brasil chegou esta semana ao fim após oito anos de existência. Parceria com as rádios Eldorado; Estadão; Capital e muito tempo pela internet marcam a história da rádio. O projeto termina por falta de viabilidade econômica, segundo João Palomino, de acordo com divulgação do portal UOL. O curioso da notícia, é que o Blog do Menon (UOL Esporte) havia antecipado a notícia em uma semana e diretores do grupo ESPN deram uma resposta evasiva. Na leitura, entendi que o projeto poderia continuar, ledo engano. Cabe lembrar também que a Rádio ESPN não é uma marca exclusiva do Brasil. Nos Estados Unidos existe uma rede, na Argentina, em Mar del Plata, há uma estação em frequência modulada. Para saciar a curiosidade, via portal, radios.com.br é possível ter acesso a diversas rádios do grupo. Menos a do Brasil, que já não está mais entre nós.

O mercado relacionado às rádios esportivas no Brasil está vivendo um período difícil. Com o ciclo de Copa e Olimpíadas imaginava-se um espaço em expansão. Mas as expectativas não se concretizaram. O que estamos acompanhando é o inverso, o encolhimento de espaços e a crescente prática do off-tube. Mas será este o fim do rádio? Não acredito nesta possibilidade. Muitos profetizaram o fim dos impressos com a chegada do rádio; do rádio com a chegada da TV e desta com a expansão da internet. Não teremos fim, mas novas possibilidades de mídia, porém os impressos que não transformaram-se com a popularização do rádio morreram. O mesmo acontecerá com as rádios de nosso tempo.

O projeto da Rádio ESPN chega ao fim mas não é um ato isolado ou fruto de uma administração confusa. É uma marca de momento. A expansão em mídias alternativas; a proliferação de conteúdos digitais; o acesso maior a televisão por assinatura são marcas de um mercado em transformação, também. Junto ao mercado está uma nova postura do emissor com a espectador. Vivemos em épocas de interação e de novas possibilidades. Não somos espectadores passivos, mas consumidores de mídia. As rádios que tem apostados em tratar o espectador como consumidor conseguem relativo sucesso, as que permanecerem no mais do mesmo falecem. Este não é o caso da Rádio ESPN, mas é caso de observar o nicho de mercado ao longo de seus vinte anos de história e o espaço que ela tentou abrir espaço num campo diferenciado, mesmo fato que acontecera com a Revista ESPN. Produtos de ótima qualidade, mas aparentemente distanciados de seu nicho de mercado.

Albio Melchioretto - colunista do Esporteemidia.com
albio.melchioretto@gmail.com
@amelchioretto







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