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Fifagate e o congresso de Ali Babá, por Albio Melchioretto #43

Colunista destaca o escândalo da Fifa que realizou eleição na sexta-feira (Foto: Fabrice Coffrini/AFP/CP)
Amigo leitor, no texto de hoje quero falar um pouco do escândalo que é notícia da mídia esportiva internacional ao longo dos últimos dias. Estava preparando texto um sobre os debates esportivos na televisão, mas o farei na próxima coluna devido a onda maquiavélica que vemos: o escândalo envolvendo a FIFA. Aqui cabe muito bem o livro de Maquiavel, O Príncipe. Neste livro, que foi escrito no início do século XVI, o filósofo renascentista florentino que vive numa Itália fragmentada escreve um texto de como um príncipe devesse comportar-se. A ação do príncipe está no campo da meta-ética, e o importante, diante da política fragmentada é a conquista, unificação e a manutenção do poder. Faço esta longa introdução porque estou a olhar o escândalo classificando-o como maquiavélico. Primeiro pela forma como a FIFA controla seus filiados e pela lógica unida em torno de centro que ela abusa. Maquiavélico: ao usar este termo referir-me-ei aquele que deseja a conquista, unificação e a manutenção do poder a independer da vontade do povo.

Se olharmos os últimos quarenta anos, quantos foram os mandatários da FIFA? E aqui na CBF uma bizarrice, o presidente vira vice e o vice, presidente, e foge com o rabo entre as pernas! Se olharmos para a confederação deste continente, quem daqueles senhores prestou algo de interessante para o futebol? E o mesmo caso se repete na federação catarinense e suas competições deficitárias, a cita porque este cidadão que está à frente dela faz trinta anos é o primeiro da linha de sucessão. Está na hora de abrir a caixa de pandora e varrer de vez com os sanguessugas que deturpam o futebol. Não quero falar do caso FIFAgate em si, mas comentar como alguns canais aqui no Brasil estão tratando o assunto onde analisarei Grupo Globo; ESPN; Fox Sports e outros canais.

GRUPO GLOBO:  La prima notízie de cada edição está o caso. Longos comentários, poucas pessoas do esporte e muitas do jornalismo geral o fazem, como se a emissora tivesse uma necessidade de desvincular a FIFA do esporte. Até mesmo na pauta esportiva o caso é tratado como notícia geral, vide como o Sportv News tem feito, modelo a la Jornal Nacional. Outra abordagem que incomoda-me é a forma de ver as coisas como se estivéssemos num confronto perene entre bandidos e mocinhos. O que existe são interesses, seja do grupo que está no comando da FIFA, seja naqueles que apoiam Platini, que ameaça boicotar Rússia-18, o jordaniano ou outros. Mas o jornalismo global prefere taxar entre os certos e errados. E há? Quero ver a Globo noticiar os patrocinadores da CBF que já estão articulando sua saída da entidade. E pior, é ver a entrevista de Dunga a RBS TV durante o jogo de quarta ao falar que não irá interferir na seleção. Ele é inocente demais ou quer tirar o seu da reta como fez Del Nero, ou ainda, muito “burro”? Parece que ao montar tal reportagem a própria emissora apoiadora quer buscar seu lugar ao sol enquanto que outros queimam no inferno, aliás, esta atitude não é nova, foi a mesma atitude tomada ao mencionar a ditadura militar aqui, que tanto se aproveitou. Ainda há dois nomes interessantes, J. Hawilla, réu confesso é um dos acionistas da TV TEM, afilhada da Rede Globo no interior de São Paulo e o braço TV7 de sua empresa, Traffic (que já teve uma parceria com a BAND) é produtora de pois programas na grade global: Auto Esporte e PEGN.

CANAIS ESPN: Fazem um jornalismo sem muito alarde e como se tudo isso não fosse novidade. Comentários pontuais. Achei oportuno demais quando trouxe a pauta ontem o jornalista escocês Andrew Jennings. Este tem livros e textos publicados há tempos sobre os escândalos que envolvem a FIFA e este jornalista é meu herói. O canal deveria reprisar os dois “Bola da Vez” que ele fora entrevistado em anos anteriores. Ali estaria a constatação que o alarde que Grupo Globo faz como se fosse novidade, nada é de novo, além de Luiz Carlos Azenha, repórter especial da Rede Record e autor do livro “O lado sujo do futebol”. Na quarta, Andrew tuitou: eu dei ao FBI os documentos cruciais que deram início à operação que terminou nas prisões de ontem (quarta).  Em resumo, ESPN sendo ESPN, alguns podem até preferir linhas “mamão com açúcar”, mas o grupo brasileiro tem uma postura mais politizada e está em seu jeito de fazer notícia.

FOX SPORTS: Ela está entre a cruz e a espada. Lá tem jornalistas respeitados e de uma lisura fantástica. Mas a ligação do canal com a Conmembol acontece via o investigado Alejandro Burzaco, executivo-chefe da Torneos y Competencias, que a deixa em péssimos lençóis. A TyC já foi investigada pelo governo argentino em 2010. Lembro que na época o Jornal Nacional lançara um editorial criticando a perseguição do governo argentino à liberdade de imprensa. Mas, você leitor e eu, temos que convir, que a liberdade de imprensa não é uma ação maquiavélica. No final, a investigação não terminou e a TyC compra os direitos do argentino para revender no exterior e usa a Fox Sports como janela de transmissão. Bela manobra. Enquanto isso os comentários sobre o FIFAgate limitam-se a algumas breves notícias via programas da casa, jamais em jogos, quem dirá nos jogos da Libertadores. O contrato da FOX com a Conmenbol é válido até 2018.

Outros veículos trazem informação, evidentemente, mas por ora recorte apenas estes três, e você amigo leitor, concorda com todo este maquiavelismo?

Albio Melchioretto - colunista do Esporteemidia.com
albio.melchioretto@gmail.com
@amelchioretto








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