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| Colunista faz análise crítica do programa apresentado por Renata Fan (Foto: Reprodução) |
Cresci acompanhando a emissora do Morumbi. Fui assíduo espectador até a chegada da televisão por assinatura em minha casa. Lembro, aos seis anos, quando meu pai apresentou-me a ela, através de uma antena espinha de peixe e acompanhamos o seriado Agente86, isto lá nos anos de 1980. Saudosismo a parte, choca-me a linha torcedor que o Jogo Aberto tem adotado. Brincadeiras sem graça, por vezes constrangedoras, bairrismo, comentários desnecessários, piadas machistas e homofóbicas, são algumas das possibilidades. O programa está muito longe de ser um telejornal esportivo. Há informações gerais, mas os comentários são transformados em conversa de “botequim” e discutidos na base de indiretas indigestas e muitos berros estimulando o que há de pior no bairrismo.
O telespectador não é idiota. Em fase de crescimento da televisão por assinatura e várias possibilidades de conteúdo multiplataforma, o telejornal esportivo aberta precisa reinventar-se. Adotar fórmulas circenses sem pão não faz mais sentido. O telespectador quer conteúdo além daquilo que é visível. Ele quer uma análise verdadeira desprendida da paixão e um editorial que possa fomentar sua conversa de botequim e não o próprio botequim na televisão. A discordância é própria do debate, mas ela não pode ser submetida a gritos e a piadas constrangedoras, muito menos com marcha fúnebre. É preciso urgente elevar o nível das reflexões. Não quero monólogos da televisão esportiva aberta, principalmente no Jogo Aberto, mas quero qualidade.
Albio Melchioretto - colunista do Esporteemidia.com
albio.melchioretto@gmail.com
@amelchioretto


