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| Colunista concorda com lei federal que proíbe operadoras de serem também programadoras (Foto: Reprodução) |
No Brasil vivemos recentemente a extinção do canal Sports+ controlado indiretamente pela Sky. Digo indireta, porque o canal era controlado pela TimeOut, programadora uruguaia, porém, todas as receitas foram oriundas da cessão de direitos de exibição e distribuição do canal à Sky. No caso a Sky estava a violar o artigo 5º, § 1 e artigo 3º da Lei n. 12.485/2011. Nas últimas semanas tive contato com dois canais, o Directv Sports transmitido na Colômbia e o Claro Sports destinado para o público equatoriano. Será a partir destes dois que quero falar.
O Directv Sports foi lançado como Mundial Total para transmissão de Alemanha-06, com o passar do tempo foi agregando outras competições da FIFA, como também os campeonatos Espanhol, Português, Francês e o Inglês. A vantagem é a possibilidade de canais extras quando da simultaneidade de eventos.
O outro exemplo é o ClaroSports. No Equador o canal possui os direitos da Primeira e Segunda Divisão da liga equatoriana. No México é outra lógica, mas vou focar no Equador. Não possui programação apenas transmissão dos jogos, ao vivo e em deferido. No entre jogos, clipes com melhores momentos e chamadas para os jogos. Perde em qualidade para nossas opções.
Embora tais iniciativas possam servir como um diferencial diante da concorrência vejo quatro problemas. O primeiro deles é a limitação ao acesso. Somente os assinantes da operada tem acesso aos eventos, no caso dos colombianos é claro o limite a Première League. Se não for assinante Directv, fica sem acesso. Algo semelhante que parcialmente experimentamos nas últimas eliminatórias sul-americanas para Brasil-14, onde apenas os jogos da Argentina em casa estavam sob égide do Sportv.
O segundo problema é morte da livre-concorrência. Como venho escrevendo sistematicamente neste espaço, quando maior a quantidade de canais maior são as possibilidades de escolha. Quando uma operadora fecha para si as possibilidades ela fere um dos princípios do capitalismo. Os assinantes dos anos da década de 1990 devem lembrar que o Sportv era exclusivo de uma operada e os canais ESPN de outra, muito complicado para o fã do esporte, um verdadeiro martírio.
O terceiro problema é a liberdade crítica do canal exibidor. Acompanhei três jogos horríveis do equatoriano (nossa Série D é show, quando comparada). Em nenhum momento a equipe de transmissão teceu críticas ao jogo. No intervalo foram mostrado os lances com expectativa além das imagens. Um corte muito forte e evidente.
O quarto problema está na limitação da informação. O canal abre na hora do jogo, no caso dos Equatorianos. O canal detentor não explora o produto em programas para além da programação, limitado tudo ao momento do evento e só.
Diante destes quatro problemas enumerados vejo que a intervenção da Ancine, com a lei da TV Paga, neste caso, como benéfica. E o que você pensa a respeito? Concorda com uma operadora programando algum canal exclusivo?
ESPAÇO DO LEITOR
Realmente Albio, não tinha pensado no espaço dos canais Premiere, certamente perderemos grandes momentos das Olimpíadas devido a bagunça que é a CBF (RICARDO). Nenhuma surpresa (DIEGO LOPES). Infelizmente, nobres leitores, os que conduzem o esporte brasileiro, de maneira apressada, não conseguem prever melhores situações. Já passa da hora de profissionalizar a gestão do esporte. Deveríamos aprender com os bons exemplos, vide a organização da NFL e da UEFA Champions, para tomar como exemplo. O futebol europeu não para nas eliminatórias como um todo, apenas as divisões principais. Domingo poder-se-ia haver um clássico regional da segunda divisão no horário nobre do futebol e fazer o brasileiro série A parar durante as pelejas da seleção. Está na hora de pensar o marketing do esporte de maneira rizomática. Concordo com os nobres leitores.
Albio Melchioretto - colunista do Esporteemidia.com
albio.melchioretto@gmail.com
@amelchioretto


