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Coluna do Albio Melchioretto #60: Champions América sairá do papel?

Riccardo Silva é o empresário que quer criar a "Champions das Américas" (Foto: Vitorio Zunino Celotto / Getty Images)
Uma nova competição nas Américas? A coluna desta semana comentará algo que está nas mídias virtuais. Vou falar da internet. Observei o chamada no aplicativo OneFootball que tenho em meu Android. Motivado pela curiosidade, fui a um buscador e então encontrei um dilúvio de informações. Mas pouco acrescentavam de diferença entre elas, então foquei-me no ESPN.com.br. Mas vamos aos fatos. E no último parágrafo comentarei sobre a internet.

A nova competição parte do pressuposto financeiro. Há previsão de um torneio entre 64 clubes disputado pelas Américas do Sul, Central e do Norte. Um torneio para bater de frente com a Champions League e movimentar cerca de R$ 2 bilhões. Este é o sonho do empresário italiano Riccardo Silva, co-fundador da MP & Silva, empresa detentora de direitos de transmissão de grandes eventos, que planeja criar uma competição revolucionária, que multiplicaria por cinco o rendimento anual da Concacaf Champions League e da Copa Libertadores somadas. Segundo informações publicadas no site da ESPN. Uma competição com um calendário inteligente, anual e com promessas de bons jogos. Mas uma questão, como ficariam as vagas para o Mundial da Fifa?

Alguns clubes tem se mostrado interessados e outros curiosos. Mas há dois pontos de interesse. Primeiro, por que uma empresa precisa de tal marketing para lançar a ideia? Não caberia aqui as duas federações do continente discutir esta possibilidade? Parece que o business fala mais alto e profissionais de mercado não são realidade do futebol. Se a competição trouxe elementos dos esportes americanos o show poderá ser muito lucrativo. Mas tal ideia não pode cair nas mãos de alguns que erraram durante décadas (Copa CONMEBOL; Copa Mercosul; Copa Merconorte e Sul-americana). E se não der certo, quem pagará a conta? Parece que esta possibilidade não faz parte, o risco é minimizado com um detalhe: “as Américas também têm uma população 30% maior que a Europa, o que mostra o potencial comercial da ideia”, afirma um dos anunciadores da ideia. Chamo atenção deste tema pela maneira como mal exploramos o futebol aqui. A mídia tem um papel importante, mas ela é monopolizada. O jeito é aguardar esta ideia, que poderá ser um sucesso, um fracasso ou nunca sair do papel, somente em 2019 sabermos. Lembrando que contratos da FoxSports com a confederação sul-americana irão até 2019. E este anuncio tem o dedo da TyC. Se há gigantes do meio acho que a coisa vai além de mera especulação.

A busca por informações na rede causou-me estranhamento de algo que venho observado há tempos na rede. Sou leitor de diversos jornais na internet, os cortes de gastos no jornalismo virtual tem causado dois grandes problemas neste tipo de mídia. O primeiro problema é a pouca profundidade nos fatos. As reportagens são curtas e diretas, focadas num tipo de leitor que quer a informação rápida e precisa. Mas há um exagero nestas características, os jornais tem se especializados em reportagens de manchetes. O que torna ruim a reflexão a partir da informação. O segundo problema está no excesso de repetição. Diversos jornais apenas transcrevem informações de outros e pouco acrescentam. A melhor reportagem sobre o tema da coluna de hoje foi no site ESPN, mas os demais que vi, apenas repetiam trechos sem muito acrescentar. Isto vale para o Brasil como para os sites latinos que também olhei. Em tempos de dispersão, encontramos uma mídia virtual com pouca casca e quase nenhum conteúdo.

ESPAÇO DO LEITOR
Diminuir jogos nos estaduais, sem copas regionais e que o E+I adquira campeonatos senão feche logo esse EIMAXX2 nada pra ver lá (DIEGO). Não sei como estão os canais EI, porque não os tenho. Mas EI não pode achar que só a Champions vai agradar ao público precisa demais conteúdo. (YAN)
Obrigado senhores, é nesta linha que escrevi a coluna. O Canal EIMaxx2 não vai sobreviver sem um bom catálogo. Neste domingo o canal passou o segundo tempo da série D e um jogo exclusivo da Série C. Mas mesmo assim é muito pouco e ainda não justifica a intenção dele existir. A Turner precisa de uma tática agressiva e competições, muitas delas, porém, vide a quantidade de repetecos dos canais Sportv e ESPN para dar conta do terceiro canal. 

Albio Melchioretto - colunista do Esporteemidia.com
albio.melchioretto@gmail.com











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