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| Colunista comenta relação da CBF com a Globo (Foto: Cahê Mota/Globoesporte.com) |
Algumas pontuações.
A CBF não se pronunciou oficialmente ao longo da semana. Aliás, parece esta ser uma prática medíocre, a atitude do não enfrentamento diante das críticas e da oposição de ideias. Vide também como são conduzidas as entrevistas coletivas. Não há posicionamento e argumentação, somente a ação da criança acuada que fica escondida. Pressionar via bastidores mostra a pequenez diante da oposição de ideias. Não gosto das narrações de Galvão Bueno, mas admiro suas críticas quanto a cúpula da CBF. Não cabe mais a despontencialização do futebol nacional ao ficar submetido a este tipo de pessoas. Necessitamos de renovação e profissionalização da gestão do futebol.
Jornalista não revela fonte. Foi o ponto chave no ‘editorial’ do Bem Amigos!. O dogma da confiabilidade é sagrado. O pedido da CBF em nomes é algo muito próximo da censura da ditadura militar e civil que vitimou o Brasil. Algo assim é descabido e causa-me asco. O pedido por nome (ou seria por cabeças?) evidencia a incapacidade de resolver os próprios problemas. A CBF pareceu-me neste evento a criança que é dona da bola na pelada do bairro. Se o dono da bola não jogar, ninguém joga. Estou de birra, se não receber nomes, não dou entrevista. Algo na mesma linha. Francamente, isto passa longe de uma postura profissional.
E por outro lado, qual é o limite que existe entre o patrocinador e o evento? A Globo está a pagar para mostrar o evento ou para conseguir privilégios, como exclusividades em entrevistas e direcionamento de horários? Existe sim, todo o direito de um personagem negar-se a ir num programa e a negativa há de ser respeitada. Porém, neste caso, a relação entre os pares envolvidos vai além do direito de ir e vir, parece-me que existe apenas intenções diante do produto futebol. A relação é tão comprometida ao ponto da negociação de revisão de horário se sobrepor ao regulamento de um torneio. Não há inocência nas ações, apenas interesse. E dentro deste jogo, reduzimo-nos a espera de um espetáculo que já não existe mais, se é que algum dia existiu.
RETOMANDO A COLUNA #66
Agradeço aos leitores e aos comentaristas da coluna passada, recebi inúmeras mensagens e muitas trouxeram bons elementos para repensar o tema, obrigado pelas valiosas contribuições. Porém, gostaria de publicamente repudiar alguns comentários que recebi via e-mail e mídias sociais. O futebol feminino e a mulher não podem sofrer preconceitos. O pior e mais covarde tipo de preconceito é aquele velado, feito em tom jocoso com brincadeiras impróprias. Enquanto nos manifestarmos com este expediente reforçamos uma sociedade machista e idiota que é incapaz de reconhecer a dignidade de todos os seres humanos.
Albio Melchioretto - colunista do Esporteemidia.com
albio.melchioretto@gmail.com
@amelchioretto


