"

Coluna do Alipio Jr. #70: Isonomia

Colunista comenta a possibilidade da Globo divulgar  os naming rights da Arena Corinthians (Foto: Marcos Ribolli/Globoesporte.com)
No dia-a-dia nossa sociedade defende que a isonomia aconteça o tempo inteiro. Juridicamente falando, isonomia vem diretamente do princípio de Igualdade garantido pela nossa Constituição Federal, segundo o qual todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza.

A partir disso foi cunhado um resumo muito simples para explicar o que seria isonomia, normalmente dito por todos que é “tratar os iguais como iguais e os desiguais como desiguais”. Sabemos que nem todos são iguais, mas essas diferenças precisam ser melhor tratadas e esclarecidas.

Esse longo preâmbulo, caro leitor, é para regressarmos a um assunto que já discutimos por aqui, mas que novamente surgiu na última semana que são os famigerados naming rights dos estádios. Ou se você preferir a concessão dos direitos do uso do nome do Estádio de determinado clube, sempre ignorado por quase todos os canais esportivos.

Não é segredo para ninguém que o atual campeão brasileiro, o Corinthians, pegou R$ 400 milhões emprestados com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para a construção do seu estádio e tem demonstrado certa dificuldade para levantar todo o valor. A previsão final de pagamento é 2028 (!!). E aí meu caro, quando você deve R$ 10 mil o problema é seu, quando você deve R$ 400 milhões, o problema é do banco.

Nesta semana a Revista Época, na sua coluna esportiva, noticiou a possibilidade do clube paulista conseguir negociar seus naming rights e há uma infinidade de boatos das empresas interessadas que vão de empresas varejistas à financeiras e até aí tudo normal em se tratando de Brasil.

O que causou estranheza nas matérias ao longo da semana, foi a afirmativa da Rede Globo em falar nas suas transmissões o novo nome da Arena, desde que o Corinthians assinasse sua renovação de contrato (o que aconteceu) e que houvesse uma conversa (leia-se negociação) entre emissora e futuro patrocinador.

Por isso começamos a coluna falando sobre isonomia: Por que essa mesma benevolência não foi concedida aos demais clubes que já possuem estádio e naming rights negociados?

Por acaso essa mesma abertura na negociação seria impossível? A mesma sugestão que a emissora deu agora, será repassada aos demais clubes? Já que as empresas esqueceram os demais canais e preocupam-se com a exposição na Rede Globo, Premiere e SPORTV, não era o momento de demonstrar que o pensamento é diferente e abrir esse leque para todos os demais?

O racha que acontece na negociação dos clubes tem origem justamente no tratamento desigual que é recebido não por causa do tamanho da torcida, da venda de ingressos ou que tais, mas no tratamento anormal que lhes é dispensado.

Abraços e até a próxima.

Alipio Jr. - colunista do Esporteemidia.com
@alipiojr











Postagem Anterior Próxima Postagem