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| Ranking mostra discrepância dos valores pagos pela emissora nos quatro principais estaduais (Foto: Reprodução) |
Assim como tantas outras receitas de marketing, os valores pagos pelos estaduais não são fáceis de ser descobertos. Primeiro porque, nos balanços patrimoniais, a maioria dos clubes não discrimina as receitas de televisionamento. Eles classificam-nas como “Cotas de TV” numa conta única, sem separar Brasileirão, estaduais e outros torneios. E eles são muitos: Libertadores, Copa do Brasil, Primeira Liga ou amistosos, todos trazem recursos pagos pela televisão.
Enfim: com base em informações veiculadas na mídia, balanços, orçamentos e borderôs (como os da FERJ, que incluem cotas de TV), este seria o ranking dos quatro principais estaduais do país:
Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos - 17 milhões
Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo - cerca de 7,8 milhões
Internacional e Grêmio - cerca de 7,6 milhões
Cruzeiro e Atlético/MG - cerca de 7 milhões
Ponte Preta - entre 5 e 6 milhões
Demais pequenos de SP - cerca de 3 milhões
Pequenos do RJ - entre 480 mil e 2,5 milhões
Pequenos do RS - cerca de 800 mil
Pequenos de MG - cerca de 300 mil
Percebam, em primeiro lugar, a discrepância de valores entre estaduais e o Brasileirão. Embora o nacional dure exatamente o dobro de um estadual (seis meses e vinte dias, contra três meses e dez dias do Carioca), a diferença paga chega, em alguns casos, a mais de dez vezes. Isto sem discrepância nas audiências – com leve tendência (acreditem) aos próprios estaduais: em 2015, dezesseis jogos do Paulista registraram média de 18,5 pontos para a Globo (quem paga a conta), enquanto 38 jogos dos clubes de São Paulo bateram 17,9 pontos no Campeonato Brasileiro.
Em segundo lugar, temos a diferença a favor do Paulista em detrimento dos demais torneios. Aí, parte da explicação reside nas rodadas de negociação: em São Paulo, os valores se referem à última leva de assinaturas*, fechada ao final de 2015 e válida pelos próximos anos. Já no Rio e no Rio Grande do Sul, o último ano do antigo contrato é justamente o atual, com conversas possivelmente iniciadas nos próximos meses. Antes do litígio entre Fla, Flu, FERJ e Primeira Liga, estimava-se para os cariocas algo em torno de R$ 11 milhões, que podem cair pela manutenção das incertezas.
*Estima-se que as luvas tenham ficado na casa dos R$ 20 milhões.
Ainda assim, a primazia de Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos se manterá. Diferente do Brasileirão – quando a Globo equipara Flamengo e Corinthians – pelos estaduais, os times do estado mais rico se beneficiam da robustez de seu mercado. Isto num torneio transmitido apenas para dentro de suas fronteiras, ao contrário do Carioca – veiculado em outras 14 praças.
Em terceiro, verifica-se a total equiparação dos grandes de um mesmo estadual no rateio da grana. A projeção desta equidade distributiva configura um sonho para a maioria dos clubes envolvidos na gritaria contra a suposta “espanholização”. Seguindo critérios de audiência e número de partidas, Flamengo e Corinthians recebem muito mais do que seus pares no Campeonato Brasileiro. Nos estaduais, não.
Um quarto elemento ainda salta aos olhos. Miudezas à parte, os maiores times do Rio recebem igual aos grandes gaúchos e mineiros. E isto não se dá porque a Globo paga o mesmo, mas porque nestes, os clubes de menor investimento pagam a conta. Enquanto no Rio um pequeno desembolsa até R$ 2,5 milhões (em São Paulo, mais de R$ 3 milhões), no Rio Grande não se aufere mais do que R$ 800 mil. Melhor do que em Minas, onde restam míseros R$ 300 mil para cada agremiação.
Enquanto o foco no Brasileirão recai sobre absurdos bem menos inexplicáveis, a verdade é que as cotas de TV nos Estaduais são aquilo que se convencionou por “samba do crioulo doido”. Valores baixos, distribuição heterodoxa e equiparação de clubes de porte totalmente diferente.
Que o diga a Ponte Preta, faturando quase igual ao Flamengo…
Fonte: Vinicius Paiva (Blog Teoria dos Jogos)
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