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| Colunista analisa a mudança dos jogos da TV aberta do domingo para o último sábado (Foto: Reprodução) |
Não quero escrever sobre minhas posições políticas. Elas estão mostradas nas mídias sociais que frequento. Quero falar de um fenômeno que não me parece inocente: o adiantamento dos jogos da televisão aberta do domingo para o sábado. Entendo e concordo com a tese que as decisões políticas, a independer do teor e da capacidade do parlamento, são mais importantes que o futebol em si, ou qualquer outro esporte. Mas, no domingo não foi apenas o futebol, foi a manifestação cultural em xeque por conta da prioridade televisiva. O problema que vejo, é que a mídia, de maneira geral, usa um argumento e todos repetem, transformando em tese, sem pensar em atos reflexivos. Por que é tão fácil aceitar a troca de horário? Qual o interesse da televisão nisto? O momento, a audiência ou interesses comerciais ou há uma interesse sistemático nas decisões políticas?
É curioso pensar isto, porque em temos há uma inversão completa de papel. Durante uma Copa do Mundo não há pauta para além da copa. O mesmo expediente repete-se nas Olimpíadas. Agora temos o efeito reverso. O problema não é o foco, mas o direcionamento de pauta única. Com isso constato uma relação de promiscuidade entre a mídia e o factual. Um bom exemplo, ao olhar nas décadas passadas, foram os campeonatos brasileiros dos anos de 1970. Inchados por conta dos interesses dos militares e o apoio dos exibidores em propagandear a ideia de sentimento nacionalizado. Nascia a ideia da “pátria de chuteiras”. As chuteiras ficam no pé, e é para lá que colocamos o sentido de pátria através da cobertura sensacionalista que a mídia conservadora vem promovendo. E a tese ganhou um grande impacto com a conquista do Tri e até hoje acredita-se que somos a pátria de chuteiras. Com esta falsa ideia construída há quem analise os 7x1 como acidente e não como reflexo. Parece que estou a falar de coisas distintas, da votação a eliminação da Copa. Mas elas estão interligadas. É a maneira irresponsável como o factual é tratado, sem um aprofundamento do pensar, apenas como encaixe de grade. Encaixe que permite trocar um dia de jogo em nome do televisionado “ao vivo”.
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| Albio Melchioretto - colunista do Esporteemidia.com albio.melchioretto@gmail.com @amelchioretto |
A perversidade e a promiscuidade foram retratas também na criação da Copa União em 1987. Quando os clubes em protesto aos regulamentos esbaforidos e inchados do Brasileirão resolveram criar uma liga independente da confederação, vendendo os direitos a Rede Globo, e esta, propagandeia a competição à luz da nova democracia, mostrando pela primeira vez uma competição com prioridade para o “ao vivo”. Da Copa União, a CBF cria a Copa do Brasil, não para competir, mas para atender os excluídos da Copa União com os campeões de todos os estados e mais os seis vices de maior média de público. Para os clubes a mídia foi importante diante da necessidade de criar e vender imagens. Enquanto que a Copa do Brasil foi um produto de ligação nacional para valorizar a confederação e as federações enfraquecidas. Para finalizar pergunto: que imagem é construída no adiantamento de partidas?
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