| Colunista lembra da Revista Placar e o famoso 'Tabelão' (Foto: Reprodução) |
Muitas vezes diante do caos falante do ciberespaço recorro ainda a “velhas” mídias para informar-me, como o bom radinho a pilha e os jornais que sempre rendem uma boa conversa na banca. Quando criança, de Ensino Fundamental, minha principal fonte de informação do futebol era a mídia impressa. Sempre que possível comprava uma edição da Revista Placar. Em momentos de menos dinheiro, acordava cedo, para ouvir uma rádio local e anotar no ‘caderno de resultados’ os placares da rodada. Num universo sem internet, as informações eram reduzidas a poucas fontes. Um caderno de resultados e a Placar, por conta do famoso ‘Tabelão’. Acompanhado de muito papel, passava as horas no ônibus escolar discutindo futebol em uma mesa remenda particular. Éramos cinco amantes da bola, um bugrino que virou a casaca para o São Paulo, um colega flamenguista, outra vascaíno acompanhado de um galo-mineiro e eu, corinthiano. Todos carregavam seus apontamentos, revistas, jornais. Cada semana um comprava o impresso e partilhava, assim enriquecíamos as conversas futebolísticas.
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| Albio Melchioretto - colunista do Esporteemidia.com albio.melchioretto@gmail.com @amelchioretto |
No mesmo dia, ao chegar em casa, conectei-me as informações quando deparo-me com o New York Times, numa longa reportagem investigativa apontando as ações do Dr. Rodchnkov. Num enredo que mais parece filme, Rebecca Ruiz e Michael Schwirtz mostram a corrupção e o doping do esporte russo durante os jogos de Socchi. Drogas, morte e perseguição patrocinadas pelo Kremlin dão o tom dos fatos.
Apresentado as duas situações de uma mesma tarde questiono novamente o papel da mídia escrita. A mídia não pode ter limites, nem ficar acomodada como um torcedor de sofá, ela tem uma posição importante. Se por um lado é interessante o saudosismo de anotações, por outro são necessárias reportagens, como do NY Times. Sinto muita falta do jornalismo investigativo no esporte, como falei a duas semanas, na coluna #87. São outros personagens, mas é o mesmo problema.
Torcer e apontar resultados é sinônimo da paixão, mas investigar é a possibilidade de desvelar toda sujeira que existe atrás daqueles que querem manipular nossa paixão.
Dica cultural da semana:
Russian Insider, http://nyti.ms/1WsP8JE, por Rebecca Ruiz e Michael Schwirtz.
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