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Albio Melchioretto #93: Entre páginas e números

Colunista indica livro para leitores (Foto: Reprodução)
No espaço de hoje vou passar por três temas diferentes. Começo mostrando alguns números da audiência. Na sequência uma dica de leitura e por último um olhar para o momento gritante que o esporte da Bandeirantes está passado, gritante ou agonizante. E ainda há, o mais importante, a caixa de comentários.

Números são interessantes para pensar algumas situações. Apresento alguns números referentes a audiência da televisão paga ao longo do mês de abril. Segundo os dados do Ipobe para o período referido, entre os dez canais mais vistos, seis foram canais abertos, onde apenas a Rede Globo alcançou 40% da audiência total entre os canais apontados. Tomei a tabela e separei os canais esportivos, ficando assim: Sportv 0,44; Fox Sports 0,23; Canais ESPN 0,16; Esporte Interativo 0,04 e BandSports 0,02. Para chegar a estes números agrupei os canais do mesmo grupo, quando falo em SporTV, estou somando os três canais e assim passo por todos os grupos.  Segundo o instituto, o canal EI Maxx não atingiu 0,01 da audiência e o canal 2 nem mencionado foi. Algumas ponderações. Os canais SporTV estão nos pacotes básicos e quase todos têm pelo menos um dos Fox. Isso facilita e muito a audiência, mas não é válido afirmar que a baixa audiência do Bandsports se deva unicamente pelo fato de não ficar nos pacotes de entrada. Uma dúvida, não entendo, porém, como o Esporte Interativo pode ter audiência maior que o EI Maxx, sendo que a presença dele, nas grandes operadoras é maior.

Albio Melchioretto - colunista do Esporteemidia.com
albio.melchioretto@gmail.com
@amelchioretto
Estes números poderiam servir de base aos canais quando vão negociar os direitos das competições. Por que não?

Sou leitor do Blog do Juca na UOL, suas colunas já foram mais provocativas, mas insisto em visita-lo por conta das dicas de charges e livros, há muito material interessante. Sempre uma boa surpresa. Nos últimos dias, Juca Kfouri apresentou o livro do historiador gaúcho Miguel Enrique Stédile, Da Fábrica a Várzea: clubes de futebol operário de Porto Alegre. Consegui o texto e, na sexta-feira fria de Santa Catarina, me deliciei pelas páginas da história do futebol e pelos relatos da vida e morte do Grêmio Esportivo Renner. Há livros fantásticos sobre a história do futebol brasileiro. Conhecer a história é um meio para entender as mazelas que o esporte bretão se encontra nos dias de hoje. As linhas de Stédile deixam evidente a forma como o futebol foi usado pelas grandes fábricas da região portoalegrense para vender uma ideologia e tornar corpos dóceis ao interesse mercantil das fábricas. Hoje, não é mais a fábrica, mas a grande mídia que torna corpos dóceis diante da esquizofrenia capitalista que vivemos. Ótima dica de leitura.

A leitura de Stédile me fez pensar muito sobre o interesse pela verdade e o capitalismo. Que interesse na verdade há em um canal que vai desmanchar seu departamento de esportes? Ao longo da semana foi noticiado que o canal do Morumbi, após os jogos do Rio de Janeiro deve fechar seu departamento de esportes. A Champions e os mundiais da FIFA já não estão mais nos planos da emissora. A decisão da Bandeirantes, se olharmos os números da audiência é questionável. Ela sozinha possuem mais audiência que os canais esportivos todos somados. Os esportivos juntos possuem 0,86, enquanto que a Band, apenas na fechada, registrou em abril 1,89. Suponho que não sejam os números o principal motivo da saída do esporte do canal, há outros, resta saber quais são! Entretanto, quem perde com isso somos nós espectadores que contaremos com uma opção a menos.

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