| Colunista cita o confronto entre Chapecoense e Atlético de Medellin para afirmar que o futebol vai além dos 90 minutos (Nelson Almeida / AFP) |
Não nos importar dizer aqui que o Fox Sports escalou Nivaldo Prieto e o Sportv, Julio Rocha. Ou que a transmissão foi ótima, que os canais exploraram bem o efeito comercial da partida. Muito menos ainda importa (pelo menos para este escriba), quanto foi o placar do jogo, se foi pênalti ou não, quem jogou melhor ou pior. Hoje é o assunto é mais que mídia, é mais que futebol.
Muitos me perguntam porque gosto de futebol, afinal qual a graça de ver 11 homens correndo atrás de uma bola, para marcar um gol durante 90 minutos? Aí é que penso, mas não respondo ou tento fazer mudarem de ideia.
Futebol não é só 90 minutos, nem são os milhões em salários ou transferências que muitos recebem (afinal, é nisso que bradam os anti-futebol, os ‘tais salários milionários’), muito menos lavagem de dinheiro ou manipulação de resultados em casos descobertos até então.
Futebol, começa lá de pequenininho daquele menino de pé descalço e sujo que chuta a bola na rua de chão batido arrancando tampão do dedo (quem nunca!?), sonhando em ser igual ao seu herói dos domingos a tarde. Futebol começa nos milhões de projetos sociais, que além de empregar muitos pais de família, livram jovens da dura realidade de suas sociedades, onde a violência e a criminalidade dão o tom das leis de convivência.
Futebol está no menino doente, que sonha conhecer seu herói, e que não sabe se ri, se chora, se pula da cama de hospital, ao receber a visita desse herói e de seus companheiros de time. Futebol está vivo nesse menino que em recuperação de saúde, entra com seu herói em campo, e é aplaudido por 70 mil pessoas, em um Wembley há duas semanas atrás. Futebol é mais que 3x0, 2x1, 7x1 ou 0x0. Futebol é unir duas cidades, dois países, ou um mundo inteiro em solidariedade após uma tragédia sem precedentes.
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| Carlos Salvador fb.com/carlosaugusto.salvador @calosalvador |
Toda a recepção aos colombianos, as honras da cidade, as homenagens, os agradecimentos, as entrevistas, as opiniões sobre aqueles dias, tudo, tudo isso foi emocionante. Impossível manter se alheio a tanta alegria, ou manter-se focado apenas nos 90 minutos.
Tivemos uma lição que existem pessoas muito boas num mundo tão ruim, num sistema que vivemos e que está fadado ao fracasso. A humanidade tem conserto. E olha que ‘ironia’, por causa do futebol!
Lugar de ricos e milionários que não se importam (!?) com os pobres. Lugar de menino que saiu do morro e esqueceu suas origens (!?), lugar de profissional de imprensa que viaja o mundo sem passar qualquer dificuldade e ganhando milhões (!?), quanta ironia..
Sabe porque nunca respondo para aqueles que me perguntam porque gosto de futebol, ‘afinal qual a graça de ver 11 homens correndo atrás de uma bola, para marcar um gol durante 90 minutos’? Porque é mais que futebol, é muito mais que 90 minutos.. e estes não entendem, nunca entenderão!
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