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| Foto: Reprodução/X/X Sports |
No dia 20 de janeiro de 2007, às 10h da manhã, diante de uma parabólica com muito chuvisco, acompanhei o nascimento de uma verdadeira aventura na mídia esportiva brasileira, a qual foi a estreia do canal Esporte Interativo. A primeira transmissão foi o clássico inglês entre Liverpool e Chelsea, com gol de Kuyt aos 4 minutos, com vitória dos vermelhos por 2 a 0. Não vi o gol porque o sinal caiu. O canal operava em uma frequência baixa, sujeita a interferências. Com o tempo, o sinal se estabilizou e o canal nos ensinou o verdadeiro significado de aventura. Estrutura enxuta, muito trabalho e uma proposta ousada que culminou na venda para o grupo Turner. Foi o fim de uma trajetória marcada por parcerias com emissoras como Gazeta, NGT, Meio Norte, após passar pela RedeTV! e Band, quando ainda não havia canal próprio. Criou uma série de fãs do futebol europeu.
Num sábado, também às 10h da manhã, com mais um jogo do Campeonato Inglês, acompanhei a estreia da X Sports, com gol marcante de Richarlison, na vitória gorda do Tottenham. Dediquei várias horas do fim de semana para prestigiar o novo canal. Desta vez, o sinal digital chegou via parabólica em banda KU. Sem parcerias de transmissão, o canal alcança cerca de duas dezenas de cidades com alguma instabilidade de frequência, atingiu pico de meio ponto no ibope paulistano, façanha que canais com mais de duas décadas de existência não chegam. A programação inclui futebol europeu, carro chefe, futebol feminino dos Estados Unidos, esportes radicais e corridas em oval. Os acordos são de sublicenciamento de direitos, não de coprodução. O canal já está disponível nas operadoras SKY, Vivo e Oi, herdando a estrutura da antiga IdealTV, e deve entrar na ClaroTV, amanhã, 18 de agosto de 2025. Mas será que isso é mesmo uma aventura? Ou estou enganado?
O grupo Kalunga, responsável pelo canal, já tentou uma empreitada anterior com o Loading, voltado ao público geek. O projeto durou somente seis meses sendo encerrado em novembro de 2021, após a desistência da Kalunga como patrocinadora master. Agora, o grupo aposta em outro nicho. Mas quem pagará a conta? Na primeira tentativa, a ausência de anunciantes foi fatal. Embora o canal tenha boa presença nas mídias sociais, mesmo com monetização, isso não cobre os custos de direitos de transmissão e equipe técnica. Até agora, ouvi somente discretas chamadas de produtos de papelaria da Kalunga. Será preciso muitas resmas de A4 para equilibrar as contas.
Onde estão os patrocinadores? Segundo o colunista Flávio Ricco, no Portal Leo Dias, haveria uma casa de apostas como patrocinadora master do canal. Ainda não a vi. Será que desistiu? E agora, precisamos de outra maldita casa de apostas? Quem embarcará nessa ousada jornada, ou será uma aventura bem-sucedida ou mais uma tentativa frustrada do grupo Kalunga de repetir do sucesso que a MTV Brasil (primeiro sinal da frequência) teve?
Sou fã de esportes, como fica evidente nesta coluna, e admiro profissionais como Dudu Monsanto, Mauro Beting, Álvaro José, Lipe Paíga e Milton Leite. O canal apresenta um estilo de fazer televisão que consagrou marcas como SporTV e ESPN, com foco em informação e transmissões sólidas. Mas o projeto precisa ir além do campo e da tela, urge atrair anunciantes para que esta seja uma aventura de sucesso, como foi o Esporte Interativo, e não uma loucura de aventureiros como foi a finada Loading.
Vida longa ao X Sports.
Sobre o autor:
Prof. Dr. Albio Fabian Melchioretto (www.albiofabian.com). Doutor em Desenvolvimento Regional. Professor pesquisador ligado a Faculdade SENAC Blumenau, editor do podcast, Tecendo Ideias (Top 100 Education Podcasts).

