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Coluna do professor #425: Há futebol demais na mídia?

Foto: Marcelo Gonçalves/Fluminense

Em nota publicada pelo “Tabloide”, do UOL, em 2002 (já faz 23 anos), os franceses alertavam sobre o excesso de futebol na TV local. Os dados vieram de uma pesquisa da France Football, divulgado em fevereiro daquele ano. A pesquisa mostrou que 49% dos franceses acreditavam que há futebol em demasia na programação. Em 2011, em entrevista à Folha de S. Paulo, Boni, então executivo, na Rede Globo, reforçou essa percepção ao afirmar que havia futebol demais na TV aberta brasileira. 

Vivemos o lançamento de um canal aberto em agosto, e, às vésperas de um projeto audacioso, que é o GE TV. Ao escrever esta coluna, procurei no YouTube pela final do Catarinense Série B, e encontrei em exibição também, um jogo do albanês, na língua nativa, mas me deparei com a transmissão do poderoso campeonato eslovaco, em português. Ainda hoje, haverá o Gregão, na TV por assinatura. Lembro que na pandemia, cheguei a comentar o fortíssimo torneio da Armênia. Opções não nos faltam, gratuitas na internet, abertas na TV ou pagas...  

Há oferta em demasia? 

O excesso pode gerar a saturação do torcedor e diminuir o interesse. A abundância de transmissões banaliza a ideia de tornar o futebol um produto especial. Não se cria expectativas em torno do jogo. Ele deixa de ser um acontecimento e passa à banalidade, pois a todo tempo há futebol. Muitas vezes deixo a televisão ligada, sem ao menos, dar conta de qual partida está acontecendo... um contraexemplo à banalização é a forma como a NFL trata a bola oval. A temporada regular conta com poucos jogos. Os encontros são eventos, nada como a loucura de 80 eventos por temporadas, como são alguns times brasileiros. Jogar menos, para ganhar mais.  

Outro ponto é a superoferta que dispersa a atenção do público. No intervalo entre o primeiro e o segundo tempo, nos dois catarinenses em campo, o público somado, na audiência do YouTube, não chegou a 10 mil assistindo. Um jogo a final da Série B e o outro o acesso a Série C Nacional. Partidas importantes para a história dos clubes envolvidos. Ao mesmo tempo, temos série B italiana, inglês, alemão, uruguaio, e muitos do leste europeu mostrados, e claro, as duas principais divisões do Brasil aquecendo-se.  

Até quando teremos tantas possibilidades?  

Sobre o autor: 

Prof. Dr. Albio Fabian Melchioretto (www.albiofabian.com). Doutor em Desenvolvimento Regional. Professor pesquisador ligado a Faculdade SENAC Blumenau, editor do podcast, Tecendo Ideias (Top 100 Education Podcasts).  

1 Comentários

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  1. Eu não vejo problema algum nesse "excesso" de jogos. Eu por exemplo estou amando assistir um campeonato Alemão na Caze Tv e depois assistir um campeonato Norueguês pela TV do Zé. O "eu" de 15 , 20 anos atrás estaria muito feliz com tantas opções gratuitas e pagas para ver futebol.

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