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| Foto: Victor Ferreira / EC Vitória |
No primeiro sábado de futebol de clubes profissionais no Brasil, 10 de janeiro, mais de 100 jogos aconteceram em todo o território nacional. Os estaduais começaram. Os torneios regionais, tradicionais por aqui, antecederem as lógicas de encontros nacionais. Em um país de dimensões continentais e organizado por ligas provincianas, reuniam equipes locais e deram início a rivalidades que só existem aqui. Esse tipo de torneio tomou conta do imaginário popular e, ainda hoje, há quem sequer cogite discutir a legitimidade de sua manutenção.
Das vinte e sete competições, vinte e cinco delas contam com mídias com direitos. Apenas dois não confirmaram, mas não ficarão de fora. Entre tv aberta, PayTV, PPV e Youtube, há jogos para todos os gostos. Na edição de 2026, em comparação a temporada passada, houve um aumento de 12% de veículos de mídia. No horário nobre, das 16h, de sábado, foram 13 jogos com 23 mídias diferentes mostrando estes jogos. O confronto de abertura do baiano, Vitória vs. Atlético Alagoinhas, esteve na TVE Bahia; TV Brasil e TVT News. Usuários de parabólica digital contaram com as todas as transmissões simultâneas. Não quero discutir o excesso de ofertas, como já feito em colunas anteriores, quero outra questão: quando vale mostrar cada estadual?
A competição faz a festa do torcedor e é uma busca alucinada por audiência. Das que vi, todas contaram com anunciantes. Mas até que ponto manter este tipo de torneio vale a pena? Nos últimos 30 anos os estaduais saíram de um semestre de competição para apenas 11 datas separadas por 2 meses. Qual a relevância dos estaduais para o futebol atual?
Os clubes iniciaram a temporada na segunda semana de janeiro. No ano passado, sem o calendário organizado, alguns torneios do Nordeste também começaram cedo, como o Cearense e o Pernambucano. A pré-temporada foi reduzida a poucos dias. Clubes como o Flamengo recorreram à base nos primeiros jogos, enquanto o elenco principal se preparava melhor. O mercado de transferências dos grandes clubes está retraído. Contratar para o estadual ou esperar a competição nacional?
Até aqui, nada muito novo. Então, qual a melhor saída? Continuo insistindo na necessidade de racionalizar o calendário. A gestão de Samir Xaud, presidente da CBF, tem mostrado avanços e disposição para mudanças no futebol brasileiro. São passos importantes, mas ainda insuficientes. Racionalizar o calendário não é apenas encontrar espaço para os estaduais, mas pensar no que os clubes eliminados após cinco rodadas farão ao longo de 2026.
E, por fim, o autointitulado “canal dos esportes”, a Band, que não transmitirá nenhum estadual este ano: o que será do canal dos esportes sem futebol?
Sugestão de leitura:
TRINDADE, Lucas. Novo calendário transforma Paulista em treino de luxo para os 4 grandes. Folha de São Paulo, Edição 35.374, São Paulo, 10 jan. 2026. p. 38. Disponível em: Acesso em: 13 abr. 2025.
Sobre o autor:
Prof. Dr. Albio Fabian Melchioretto (www.albiofabian.com). Doutor em Desenvolvimento Regional. Professor pesquisador ligado a Faculdade SENAC Blumenau, editor do podcast, Tecendo Ideias (Top 100 Education Podcasts).
Massaranduba, domingo, 11 de janeiro de 2026.

