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| Foto: Fabio Menotti/Palmeiras |
Como assisto aos jogos de futebol feminino, noto que a audiência está crescendo exponencialmente, mas isso ainda não é motivo de contentamento apenas, cabem inúmeras críticas. Em 2023, a final da Copa do Mundo Feminina da FIFA atraiu mais de 1 bilhão de telespectadores. O público quer ver mais jogos e conteúdo relacionado. As emissoras devem atender a essa demanda, não apenas para atrair novos espectadores, mas também para engajar com uma base de fãs já existente e em expansão. E as críticas de Leila Pereira, no pré-jogo da Supercopa do Brasil, deixa claro que, além da organização, a mídia possui um papel fundamental.
O futebol feminino é frequentemente marginalizado na cobertura esportiva. Em 2022, as partidas femininas tiveram apenas 1% da cobertura televisiva em comparação com as masculinas. Isso não reflete a realidade do interesse e do talento das atletas. A televisão tem o poder de mudar isso, promovendo mais visibilidade e representatividade. Atletas femininas merecem ter a mesma oportunidade de brilhar nas telas que seus colegas homens. Além de palcos adequados, melhores horários e melhores valores pelos direitos de transmissão.
O esporte feminino tem um poder inestimável como fonte de inspiração, especialmente para meninas e jovens mulheres. Quando vemos mulheres jogando e competindo, estamos dizendo que elas são importantes e que seus sonhos são válidos. A televisão, como meio de comunicação de massa, pode amplificar essa mensagem e ajudar a moldar uma sociedade mais igualitária. Uma supercopa na tela da Globo potencializa sonhos, mas, ao mesmo tempo, quando apenas algumas rodadas do campeonato brasileiro serão mostradas, o sonho antes potencializado perde sua força.
O futebol feminino não é apenas um esporte, mas um negócio em crescimento. Empresas já perceberam o potencial. A televisão tem a oportunidade de capturar esse mercado crescente, atraindo novos patrocinadores e anunciantes interessados em atingir um público diverso e engajado. Mas quando ela insiste num horário alternativo ou em subcanais, perde a chance. Por que não temos futebol feminino no Premiere?
A televisão tem a responsabilidade e o potencial de elevar o futebol feminino a um patamar mais visível e respeitado. Ao dar mais espaço, não apenas atende-se a uma demanda crescente e corrige-se uma desigualdade histórica, mas também se contribui para um futuro mais inclusivo. O esporte é para todos, e a televisão deve refletir isso, e, quando a TV Pública assume o protagonismo da categoria, ela atende a um dos fins no qual foi criada. E a frase de Leila Pereira, nos chama atenção: “o futebol feminino precisa de parcerias e dinheiro das grandes redes”.
Sobre o autor:
Prof. Dr. Albio Fabian Melchioretto (www.albiofabian.com). Doutor em Desenvolvimento Regional. Professor pesquisador ligado a Faculdade SENAC Blumenau, editor do podcast, Tecendo Ideias (Top 100 Education Podcasts).
Massaranduba, terça-feira, 10 de fevereiro de 2026.

