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Coluna do professor #452: Assinava-se a operadora pelos canais de esporte

Foto: Reprodução

A disputa entre Globo/SporTV e TVA/ESPN marcou uma das fases mais fragmentadas da TV por assinatura esportiva no Brasil. No início do projeto de expansão havia de um lado, a NET carregava o peso e a influência do grupo Globo, com forte presença em transmissões nacionais. Do outro, a TVA apostava na ESPN para oferecer uma alternativa internacional e especializada, que possuía algumas entradas no esporte nacional (maior que o tempo presente, arrisco dizer). Essa divisão criou dois ecossistemas distintos de consumo esportivo, cada um com sua identidade própria. O público, porém, acabava limitado pela operadora escolhida.

Durante os anos 1990 e início dos 2000, essa rivalidade moldou a forma como o torcedor brasileiro acessava competições. A NET priorizava campeonatos locais e eventos de grande audiência, reforçando a hegemonia da Globo no esporte, disponibilizando o “canal local” com jogos citadinos. A TVA, por sua vez, investia em ligas estrangeiras e modalidades menos exploradas, ampliando a diversidade de conteúdo, foi a primeira a trazer o finado PSN. Essa separação estimulou a concorrência, mas também fragmentou o mercado. O assinante precisava escolher entre universos esportivos incompletos. 

A crise econômica do início dos anos 2000 e as mudanças estruturais no setor abriram espaço para uma reorganização profunda. A saída de grandes grupos financeiros e a entrada de novos controladores alteraram o equilíbrio de forças. A NET passou por transformações que reduziram a influência direta da Globo na operação. A TVA, enfrentando desafios financeiros, perdeu capacidade de manter sua estratégia isolada. O cenário começou a apontar para uma inevitável convergência. Atualmente a NET é ClaroTV+ e a VivoTV adquiriu os espólios da TVA. 

Com a consolidação das operadoras e a formação de conglomerados maiores, a separação entre os line-ups esportivos deixou de fazer sentido. A unificação das plataformas permitiu que canais antes concorrentes dividissem o mesmo espaço. ESPN e SporTV passaram a coexistir nas grades, ampliando o acesso do público a competições nacionais e internacionais. Pelo serviço Disney+ é possível acessar,  ESPN, CazéTV e XSports. O consumidor, antes refém de disputas corporativas, passou a ter uma oferta mais completa. O mercado, por sua vez, ganhou estabilidade e previsibilidade.

A integração dos conteúdos esportivos transformou a experiência do assinante e redefiniu o papel das operadoras no ecossistema midiático. A antiga rivalidade deu lugar a uma convivência estratégica, impulsionada pela necessidade de fortalecer o produto. Hoje, a diversidade de canais esportivos é vista como um diferencial competitivo, não como uma barreira. Mas fica a provocação: a unificação ampliou a qualidade da cobertura esportiva ou apenas consolidou um novo tipo de monopólio?

Sobre o autor:
Prof. Dr. Albio Fabian Melchioretto. Doutor em Desenvolvimento Regional. Professor pesquisador ligado a Faculdade SENAC Blumenau, editor do podcast, Tecendo Ideias (Top 100 Education Podcasts) e escreve no Substack sobre o futebol catarinense (https://albiofabianmelchioretto.substack.com/

Declaro que utilizei ferramentas de Inteligência Artificial generativa exclusivamente para apoio na revisão textual e organização da escrita deste documento. Todo o conteúdo analítico é de minha autoria e responsabilidade. Para tal foi utilizado o Gemini com GEM personalizado para correção e revisão de textos.

Massaranduba, segunda-feira, 4 de maio de 2026.

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