![]() |
| Foto: Reprodução/YouTube |
A preocupação da Rede Globo em liderar a audiência na Copa manifesta‑se de forma cada vez mais explícita, e até mesmo bizarra. Observa‑se que a emissora intensifica campanhas que reforçam a superioridade técnica do sinal aberto, buscando associar sua transmissão à experiência “verdadeira” do torcedor. Veja abaixo o vídeo da campanha.
A campanha da Globo, ainda que possa sugerir um alvo direto, ela depõe contra três produtos da casa, o GETV; Sportv e Globoplay. Percebe‑se também que a estratégia tenta reposicionar a Globo como guardiã da emoção imediata, algo historicamente vinculado ao futebol na TV aberta, mas não se pode esquecer da força do ex-global Galvão Bueno, no SBT. Nota‑se que a empresa utiliza o delay das plataformas digitais como argumento central, transformando um detalhe técnico em arma competitiva.
Ao mesmo tempo, identifica‑se que o crescimento da CazéTV altera profundamente o equilíbrio tradicional do mercado. O canal de Casimiro Miguel conquistou uma audiência jovem, engajada e pouco dependente da televisão convencional. Entende‑se que essa mudança pressiona a Globo a defender seu território com mais agressividade, especialmente em eventos de grande apelo nacional, como é o caso da Copa do Mundo, sim amigos, a Copa do Mundo já começou! A emissora tenta reforçar a ideia de que assistir pela internet significa perder a “verdadeira” emoção do gol gritado em delay. Essa disputa revela um choque entre modelos de comunicação: o broadcasting clássico e o streaming.
Com isso, a Globo tenta resgatar símbolos históricos para reafirmar sua autoridade. Utiliza-se a tradição como argumento emocional, reforçando a imagem de que a emissora sempre esteve ao lado do torcedor nos grandes momentos. Explora-se a memória afetiva de Copas anteriores, nas quais a TV aberta era praticamente a única janela possível, e assim foi até 1990. A primeira do Sportv foi em 1994, ESPN Brasil fez a partir de 1998.
Por outro lado, observa-se que a CazéTV opera com lógica completamente distinta. Valoriza-se a espontaneidade, o humor e a linguagem nativa da internet, elementos que desafiam o formalismo televisivo. O público identifica autenticidade no conteúdo do streamer, algo difícil de replicar em estruturas tradicionais, uma dificuldade encontrada na GETV. A audiência migra não apenas pela transmissão, mas pela comunidade que se forma em torno dela. Esse fenômeno ameaça diretamente a hegemonia da Globo, que precisa reagir para não perder relevância cultural. A disputa não é apenas técnica, mas simbólica.
Será que o torcedor brasileiro ainda quer ser conduzido pela velha lógica da TV aberta ou prefere a liberdade irreverente do streaming?
Sobre o autor:
Prof. Dr. Albio Fabian Melchioretto. Doutor em Desenvolvimento Regional. Professor pesquisador ligado a Faculdade SENAC Blumenau, editor do podcast, Tecendo Ideias (Top 100 Education Podcasts) e escreve no Substack sobre o futebol catarinense (https://albiofabianmelchioretto.substack.com/)
Massaranduba, segunda-feira, 1 de junho de 2026.

