Coluna do professor 462: Um rádio para ouvir, outro para torcer

Foto: Divulgação/Grupo Bandeirantes

O rádio permanece como potência mesmo em tempo de multiplicidades de meios. O streaming é vasto em possibilidades de direitos esportivos. Os canais pagos mantêm uma base, ainda que em queda, contudo possui relevância. A TV aberta é a líder indiscutível em grandes eventos. Mesmo neste novo tempo o rádio possui espaço porque conseguiu se reinventar. Sobre o tema, escrevi na coluna #443.

Além do olhar do colunista, o rádio ainda possuí relevância?

Durante a copa, aproveitei o tempo em trânsito alternando os jogos entre a CBN Vale do Itajaí, CBN Joinville ou a Band/Itaberá. À noite, no retorno do trabalho, são minhas fontes com o futebol. Mesmo com a possibilidade de rádios online, prefiro a frequência modulada local. Durante a copa, as rádios do grupo Bandeirantes alcançaram, somadas, 22,6 milhões de ouvintes na cobertura do evento.

Ao considerar o mercado FAST, há uma expectativa de 28 milhões de aparelhos conectados, através do canal BandNews FM (em vídeo). Os números divulgados são expressivos. O rádio oferece praticidade e agilidade ao ouvinte. Mas e agora, após a Copa?

O interesse pelo produto futebol no pós-Copa não é o mesmo. Volta-se ao expediente com muitas competições, vários interesses e jogos sem apelo. Neste espaço, o rádio é a ponte entre o torcedor e o jogo. Porém, surge outro problema: como fidelizar o fã do esporte diante da multiplicidade e complexidade dos acessos para consumidor o produto futebol?

Nesse cenário fragmentado, o rádio precisa transformar o ouvinte em participante ativo, criando experiências que vão além da simples transmissão. A multiplicidade de competições exige que o rádio assuma o papel de curador, organizando narrativas que deem sentido ao calendário e ao fã do esporte. A fidelização nasce quando a emissora combina presença multiplataforma, personalização e conteúdo exclusivo que o torcedor não encontra em outro lugar. Assim, o rádio deixará de ser apenas companhia e se torna comunidade, mantendo vivo o vínculo com o fã do futebol.

Os números do grupo Bandeirantes, ou de qualquer outra rádio, podem se tornar cotidianidades e não algo esporádico. 

Sobre o autor
Prof. Dr. Albio Fabian Melchioretto. Doutor em Desenvolvimento Regional. Professor pesquisador ligado a Faculdade SENAC Blumenau, editor do podcast, Tecendo Ideias (Top 100 Education Podcasts) e escreve no Substack sobre o futebol catarinense (https://albiofabianmelchioretto.substack.com/).

Massaranduba, terça-feira, 28 de julho de 2026.

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