Qual o papel da mídia no futebol brasileiro?Albio Melchioretto - colunista do Esporteemidia.com
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@amelchioretto
Após a histórica semifinal, o Brasil encheu-se de comentaristas e analistas de futebol. A grande maior de plantão atua como uma forma de extravasar o descontentamento pelo placar elástico. Mas o futebol não acaba aqui! Na Europa, as primeiras pelejas da Liga Europa já iniciaram e alguns canais esportivos já começaram a saga dos torneios pré-temporadas.
Porém, o que pretendo hoje falar é sobre o papel da mídia no futebol brasileiro. O faço motivado pela pergunta de Cícero Melo a Felipão na coletiva de 09 de julho de 2014. Cícero, dos canais ESPN, questiona a Felipão se a ele usou a Mídia para passar falsas impressões ao técnico da Alemanha e este responde abruptamente que a Mídia também os usa. Não quero discutir o fato, mas quero a partir do fato questionar se a mídia possui algum papel no futebol brasileiro. E para refletir sobre esta questão quero analisar apenas os canais abertos Globo e Band. Escolho só dois por representaram a grande fatia da audiência segundo aferições dos institutos de pesquisa.
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O canal que compartilha direitos com a Globo, a Rede Bandeirantes, não faz uma linha muito diferente. Seus comentaristas, ex-boleiros, são tão levianos quanto o vento. Quero acreditar que a capacidade de ver o jogo consiga ir além daquilo que é dito. As opinião mudam rapidamente, parece que existe uma intenção clara de ficar ‘de bem’ com todos. Outra coisa que me incomoda profundamente é falta de foco. Ao comentar os jogos, os argumentos muitas vezes usados, transcendem as quatro linhas. Falam do jogador, da família, de suas atividades... não há foco. Muitas vezes as perguntas no pós-jogo seguem a mesma linha da Globo. Se jogador de futebol fala sempre a mesma coisa em entrevistas, muito se deve pelo fato das perguntas serem sempre iguais. Para justificar este argumento basta perceber como são direcionados os debates esportivos nas diversas mesa redondas do canal. A razão de ser de um comentarista não é relatar o óbvio, mas provocar um questionamento a fim de que o espectador construa sua opinião percebendo o não tão óbvio.
Não quero fechar, mas abrir alguns questionamentos para deixar você leitor construir suas próprias conclusões. Cabe a mídia, e no caso, os dois canais, promoverem o futebol ou cabe a eles simplesmente transmitirem as competições? Ou será que deveria existir uma relação de comprometimento entre organizadores e transmissores? Ou caberia a mídia um papel investigativo a fim de promover reformas? Ou a forma como ela a fazer é a melhor forma?

