Albio Melchioretto - colunista do Esporteemidia.com
albio.melchioretto@terra.com.br
@amelchioretto
Existe futebol fora dos canais esportivos
Na coluna passada comentava sobre o papel da mídia brasileira para o futebol e passava rapidamente pelos dois canais abertos que transmitiram os jogos da Copa do Mundo Brasil 14. A viagem que quero propor hoje é uma passagem por dois programas especiais da televisão paga que falaram de futebol mas de uma maneira distanciada do olhar dos “especialistas” da bola. A passagem dos grandes eventos esportivos trazem mudança nas rotinas televisas, e elas não ficam apenas nos detentores da transmissão, mas envolvem todo um olhar para o evento. A análise que faço se passam pelos programas ‘O outro futebol’ do Canal Brasil e ‘#NaCopa’ documentário especial para a Globo News.
O programa ‘Outro Futebol’ faz uma viagem pelo interior do Brasil mostrando aquilo que está fora do grande eixo. Semana passada o foco do programa fora o Sport Club Penedense da cidade de Penedo, interior do Estado de Alagoas. O clube fora fundado em 1909 um dos mais antigos do Brasil e disputará a segunda divisão do alagoano em 2015 e seu estádio, o Doutor Alfredo Lehay, possui capacidade para 5 mil espectadores. Não quero falar do time, mas do programa. É interessante este tipo de visão por mostrar um futebol que está para além do profissionalismo. Nada de hino, de filas em túnel (nem túnel há) e grandes eventos. O futebol dar-se-á num olhar histórico. Como se o tempo não existisse. A paixão irracional faz parte da participação. Oferendas de quermesse são dadas aos jogadores. As cabines de transmissão beiram a precariedade total. Tudo é feito pelo amor ou talvez pela aventura de se tentar fazer futebol e tudo tão longe da realidade. Não estou aqui para criticar este futebol, mas para comentar que este tipo de reportagem é importante para desmitificar o futebol como um ambiente de dinheiro e de alto desempenho. E na verdade não o é. ‘Outro futebol’ busca apresentar roteiros esquecidos pela mídia, pelos torcedores e que se sustenta apenas pela paixão de alguns poucos. No país que sediou a Copa existem tantas outras Copas tão distantes e paupérrimas.
#NaCopa foi um especial produzido pela Globo News mostrando a visão dos não brasileiros na terra da Copa passando pelas cidades sedes. No primeiro momento não é mostrado a opinião, mas o que os olhos enxergam do país que sediou a copa e a partir do olhar são evidenciados alguns problemas. Dentre eles a primeira barreira apontada fora a linguagem, onde poucos falam inglês. A segunda barreira mostrada foram as diferenças culturais encontrados por eles cá. Há também as críticas sobre os bastidores da Copa como os gastos com os estádios, a infraestrutura diferente da esperada, o problema com a segurança nas ruas. Uma sul-africana comenta: “os policiais são tantos assim, ou só é a copa?”. Salientam a falta de pontualidade em tudo, a violência contra a infância em Fortaleza, mas a maior crítica é o “jeitinho brasileiro” que faz acontecer, mas não resolve nada. Em contrapartida são apresentadas as belezas naturais como um possibilidade de salvar os aspectos negativos deste espaço e até mesmo um francês cita que aqui foi melhor que em Paris-98.
Mas qual a relação disso com a mídia esportiva? Podemos pensar que nenhuma, mas reportagens deste tipo explorando a visão do outro em oposição ao “nativo” só é possível em épocas de copa. O pano de fundo e a motivação foram a Copa do Mundo. É uma pena que muitas vezes este tipo de visão não é explorado. Entender e colocar-se no lugar do outro nos ajudaria muito a crescer enquanto mídia, enquanto país e enquanto pessoas. Outro fator é possível fazer reportagem a partir do esporte de qualidade na mídia não-esportiva. Negar isto é a mesma coisa que silenciar as vozes estrangeiras sobre cá.
Na próxima semana comentarei a Copa da Argentina e sua transmissão via canais ESPN.
albio.melchioretto@terra.com.br
@amelchioretto
Existe futebol fora dos canais esportivos
Na coluna passada comentava sobre o papel da mídia brasileira para o futebol e passava rapidamente pelos dois canais abertos que transmitiram os jogos da Copa do Mundo Brasil 14. A viagem que quero propor hoje é uma passagem por dois programas especiais da televisão paga que falaram de futebol mas de uma maneira distanciada do olhar dos “especialistas” da bola. A passagem dos grandes eventos esportivos trazem mudança nas rotinas televisas, e elas não ficam apenas nos detentores da transmissão, mas envolvem todo um olhar para o evento. A análise que faço se passam pelos programas ‘O outro futebol’ do Canal Brasil e ‘#NaCopa’ documentário especial para a Globo News.
O programa ‘Outro Futebol’ faz uma viagem pelo interior do Brasil mostrando aquilo que está fora do grande eixo. Semana passada o foco do programa fora o Sport Club Penedense da cidade de Penedo, interior do Estado de Alagoas. O clube fora fundado em 1909 um dos mais antigos do Brasil e disputará a segunda divisão do alagoano em 2015 e seu estádio, o Doutor Alfredo Lehay, possui capacidade para 5 mil espectadores. Não quero falar do time, mas do programa. É interessante este tipo de visão por mostrar um futebol que está para além do profissionalismo. Nada de hino, de filas em túnel (nem túnel há) e grandes eventos. O futebol dar-se-á num olhar histórico. Como se o tempo não existisse. A paixão irracional faz parte da participação. Oferendas de quermesse são dadas aos jogadores. As cabines de transmissão beiram a precariedade total. Tudo é feito pelo amor ou talvez pela aventura de se tentar fazer futebol e tudo tão longe da realidade. Não estou aqui para criticar este futebol, mas para comentar que este tipo de reportagem é importante para desmitificar o futebol como um ambiente de dinheiro e de alto desempenho. E na verdade não o é. ‘Outro futebol’ busca apresentar roteiros esquecidos pela mídia, pelos torcedores e que se sustenta apenas pela paixão de alguns poucos. No país que sediou a Copa existem tantas outras Copas tão distantes e paupérrimas.
#NaCopa foi um especial produzido pela Globo News mostrando a visão dos não brasileiros na terra da Copa passando pelas cidades sedes. No primeiro momento não é mostrado a opinião, mas o que os olhos enxergam do país que sediou a copa e a partir do olhar são evidenciados alguns problemas. Dentre eles a primeira barreira apontada fora a linguagem, onde poucos falam inglês. A segunda barreira mostrada foram as diferenças culturais encontrados por eles cá. Há também as críticas sobre os bastidores da Copa como os gastos com os estádios, a infraestrutura diferente da esperada, o problema com a segurança nas ruas. Uma sul-africana comenta: “os policiais são tantos assim, ou só é a copa?”. Salientam a falta de pontualidade em tudo, a violência contra a infância em Fortaleza, mas a maior crítica é o “jeitinho brasileiro” que faz acontecer, mas não resolve nada. Em contrapartida são apresentadas as belezas naturais como um possibilidade de salvar os aspectos negativos deste espaço e até mesmo um francês cita que aqui foi melhor que em Paris-98.
Mas qual a relação disso com a mídia esportiva? Podemos pensar que nenhuma, mas reportagens deste tipo explorando a visão do outro em oposição ao “nativo” só é possível em épocas de copa. O pano de fundo e a motivação foram a Copa do Mundo. É uma pena que muitas vezes este tipo de visão não é explorado. Entender e colocar-se no lugar do outro nos ajudaria muito a crescer enquanto mídia, enquanto país e enquanto pessoas. Outro fator é possível fazer reportagem a partir do esporte de qualidade na mídia não-esportiva. Negar isto é a mesma coisa que silenciar as vozes estrangeiras sobre cá.
Na próxima semana comentarei a Copa da Argentina e sua transmissão via canais ESPN.



