Frederico Silveira - colunista do Esporteemidia.com
Email: fredssil@hotmail.com
Facebook: frederico.dasilveira
Há muito tempo a linguagem utilizada na mídia, como um todo, sofreu diversas alterações em sua forma e conteúdo. Para acompanhar a agilidade das redes sociais e dos tempos de informações instantâneas, se abandonou o formalismo adotado em décadas passadas. Hoje, se fala a linguagem que as pessoas estão acostumadas a ouvir e a falar em sua vida cotidiana. Se isso é bom ou ruim, não sei, mas o fato é que o limite entre o aceitável, ou correto, está sendo constantemente delimitado e ultrapassado.
Na mídia esportiva, não é diferente. Expressões mais cultas foram aposentadas, o que importa agora é falar a linguagem das "pessoas", salvo raríssimas exceções. O resultado disso é, por um lado, agilidade na comunicação, facilidade de compreensão por parte do público em geral e maior alcance das informações. Por outro lado, temos uma redução na qualidade do vocabulário utilizado, deixando de fazer com que as pessoas exercitem sua capacidade de compreensão e de aprendizado de novas palavras e expressões.
Contudo, isso não deixa de ser um mero reflexo do que aconteceu com a sociedade, no mundo como um todo. Tudo ficou mais rápido, e também mais superficial. São os novos tempos; até aí nada de mais e nem me causa tanto estranhamento, afinal tenho 32 anos e não vivi as décadas mais antigas. Porém, com a adoção dessa linguagem mais "popular", ou seja, o que eu, você e todo mundo fala em suas vidas cotidianas, é a permissão de se utilizar palavras chulas, brincadeiras de duplo sentido, expressões espontâneas.
O noticiário esportivo gaúcho vive, há alguns dias, um processo de imbecilização: a possibilidade do Grêmio contratar o atacante Milton Caraglio, argentino que joga no Vélez Sarsfield, despertou o que há de pior nos comentaristas de programas das mais diversas plataformas. Muitas piadas de mau gosto, duplo sentido "explícito", um festival de bobagens que em nada agrega ao debate que realmente interessa.
Antes que me chamem de chato, politicamente correto, etc, proponho o seguinte exercício a você, leitor: imagine-se ouvindo um programa de rádio com o seu filho, ou com sua filha de, digamos, 8 anos. Em 5 minutos, os participantes do tal programa começam a fazer piadas do tipo "Felipão vai jogar com o Caraglio enfiado" ou "A bola foi na cabeça do Caraglio", entre outras pérolas. Seu filho ou sua filha lhe pergunta do que eles estão falando, e o que você responde? Ou, pior, imagine a mesma cena com sua filha adolescente. É legal? É necessário? Faz parte mesmo do nosso cotidiano? Ah, a situação descrita aconteceu de verdade, no programa Sala de Redação da Rádio Gaúcha, aliás um antro de expressões sexuais chulas em um horário totalmente inadequado.
E este é um caso entre tantos outros que ocorrem e, ao que tudo indica, seguirão ocorrendo. Parece que se tornou normal, dentro dessa nova linguagem, utilizar termos chulos e agressivos, sob a alcunha de "linguagem popular", como se todas as pessoas usassem tais termos o tempo todo.
Acho que é preciso pensar na herança cultural que estamos deixando para as próximas gerações, e a mídia esportiva tem papel importantíssimo nesse processo.
Curta nossa página no Facebook.
Siga o Esporteemidia.com no Twitter.
Email: fredssil@hotmail.com
Facebook: frederico.dasilveira
Há muito tempo a linguagem utilizada na mídia, como um todo, sofreu diversas alterações em sua forma e conteúdo. Para acompanhar a agilidade das redes sociais e dos tempos de informações instantâneas, se abandonou o formalismo adotado em décadas passadas. Hoje, se fala a linguagem que as pessoas estão acostumadas a ouvir e a falar em sua vida cotidiana. Se isso é bom ou ruim, não sei, mas o fato é que o limite entre o aceitável, ou correto, está sendo constantemente delimitado e ultrapassado.
Na mídia esportiva, não é diferente. Expressões mais cultas foram aposentadas, o que importa agora é falar a linguagem das "pessoas", salvo raríssimas exceções. O resultado disso é, por um lado, agilidade na comunicação, facilidade de compreensão por parte do público em geral e maior alcance das informações. Por outro lado, temos uma redução na qualidade do vocabulário utilizado, deixando de fazer com que as pessoas exercitem sua capacidade de compreensão e de aprendizado de novas palavras e expressões.
Contudo, isso não deixa de ser um mero reflexo do que aconteceu com a sociedade, no mundo como um todo. Tudo ficou mais rápido, e também mais superficial. São os novos tempos; até aí nada de mais e nem me causa tanto estranhamento, afinal tenho 32 anos e não vivi as décadas mais antigas. Porém, com a adoção dessa linguagem mais "popular", ou seja, o que eu, você e todo mundo fala em suas vidas cotidianas, é a permissão de se utilizar palavras chulas, brincadeiras de duplo sentido, expressões espontâneas.
O noticiário esportivo gaúcho vive, há alguns dias, um processo de imbecilização: a possibilidade do Grêmio contratar o atacante Milton Caraglio, argentino que joga no Vélez Sarsfield, despertou o que há de pior nos comentaristas de programas das mais diversas plataformas. Muitas piadas de mau gosto, duplo sentido "explícito", um festival de bobagens que em nada agrega ao debate que realmente interessa.
Antes que me chamem de chato, politicamente correto, etc, proponho o seguinte exercício a você, leitor: imagine-se ouvindo um programa de rádio com o seu filho, ou com sua filha de, digamos, 8 anos. Em 5 minutos, os participantes do tal programa começam a fazer piadas do tipo "Felipão vai jogar com o Caraglio enfiado" ou "A bola foi na cabeça do Caraglio", entre outras pérolas. Seu filho ou sua filha lhe pergunta do que eles estão falando, e o que você responde? Ou, pior, imagine a mesma cena com sua filha adolescente. É legal? É necessário? Faz parte mesmo do nosso cotidiano? Ah, a situação descrita aconteceu de verdade, no programa Sala de Redação da Rádio Gaúcha, aliás um antro de expressões sexuais chulas em um horário totalmente inadequado.
E este é um caso entre tantos outros que ocorrem e, ao que tudo indica, seguirão ocorrendo. Parece que se tornou normal, dentro dessa nova linguagem, utilizar termos chulos e agressivos, sob a alcunha de "linguagem popular", como se todas as pessoas usassem tais termos o tempo todo.
Acho que é preciso pensar na herança cultural que estamos deixando para as próximas gerações, e a mídia esportiva tem papel importantíssimo nesse processo.
Curta nossa página no Facebook.
Siga o Esporteemidia.com no Twitter.

