![]() |
| Colunista fala da influência da TV no futebol |
O que vemos agora é uma influência tão grande que a existência do futebol não pode ser pensada sem a televisão. A televisão ‘abençoa’ os horários, congrega as tabelas e ritualiza sua existência em verdadeiros cânones religiosos. Exemplo? Hoje não vou falar dos exemplos brasileiros, e sim, olhar a grama do vizinho, neste caso, mais verde. A última rodada da Libertadores nos é um bom exemplo. O regulamento dela faz o confronto ser um cruzamento de campanhas. O problema está na última rodada que não é simultânea. Assim, alguns equipe entram beneficiadas ao ponto de poder escolher o adversário. E este fato dá margem a comentários, como a atuação do juiz em São Paulo x Corinthians; como também olhar para os números do Corinthians e ver que ele não finalizara no segundo tempo sabendo (ou não) que o adversário seria o Guarani do Paraguai se assim mantivesse o placar. Talvez não houve malandragem, não há provas para afirmar, mas a questão é que o interesse da televisão em ter pelejas espalhadas pela programação ao longo de uma jornada tripla permite tal interpretação. Por que não montar um esquema de sorteio a moda UEFA para privilegiar uma grade espalhada? Uma competição que presa pela transparência evita margem para comentários sobre sua honestidade. Quem perde é a própria televisão que tem seu produto depreciado.
Outro exemplo é o anúncio da FIFA que a detentora dos direitos de transmissão para os Estados Unidos da copa de 2026 será o canal Fox Sports. De acordo com a agência internacional de notícias Bloomberg o acordo foi feito para compensar a mudança no calendário da edição de 2022 que não será no tradicional período entre temporadas, mas que será no fim do ano. A ESPN não foi sequer avisada, de acordo com a agência. O problema de uma copa deslocada é bater de frente com a temporada da NFL (maior audiência) e NBA (quarta maior audiência) na briga pela audiência. Segundo Jérôme Valcke: “foi tudo feito dentro dos padrões, é bom para FIFA e é bom para FOX”. E os demais? Se diante de todos estes exemplos alguém ainda não se convencer que a televisão é detentora e constrói um rizoma com o futebol não vejo argumento melhor para mostrar que estes. O show sustenta-se apenas pela televisão. O show de Trumann continua.
Albio Melchioretto - colunista do Esporteemidia.com
albio.melchioretto@gmail.com
@amelchioretto


