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Coluna do Alipio Jr. #61: Jeitos de transmitir

Colunista foca no jeito de transmissão do futebol no Brasil e na Europa (Foto: Reprodução)
Há algumas semanas a ANAF (Associação Nacional dos Árbitros de Futebol) trava uma incessante batalha contra a patrocinadora maior do nosso futebol, também conhecida como Rede Globo.

A Lei 9.615/98, também conhecida como Lei Pelé, regulamentadora das atividades esportivas em nosso país, tendo sua redação ampliada pela Lei 12.395/11, concede o repasse de 5% ao Sindicato dos Atletas Profissionais, como consequência do famigerado direito de arena.

A briga da ANAF é por entender que os árbitros de futebol também deveriam ter direito a essa receita, já que o futebol movimenta milhões, a Rede Globo gasta muito dinheiro e estes não ganham nada. A não ser o salário habitual pago pela CBF a cada jogo trabalhado.

Quando a ANAF entra com a ação contra a Rede Globo, na tentativa de impedir que os árbitros sejam focalizados na transmissão, é por saber que não há como fazer isso e tentar forçar o acordo com a Emissora carioca. Poderíamos caminhar nossas conjecturas para o lado da profissionalização dos homens de preto, mas nem eles parecem interessados nisso, então caminhemos n´outra direção.

No Brasil a TV tem uma transmissão que se preocupa com o individual. Exceto estádios mais acanhados em que a câmera parece ficar num ponto fixo (alô Série B!), dificilmente se focaliza todos os jogadores de linha. A emissora do Jardim Botânico não consegue entender o momento de focalizar os 11 jogadores ou quando dar um close na jogada de ataque/ defesa.

Transmissão do Campeonato Brasileiro no SporTV (Foto: Reprodução)
Note as imagens abaixo. A transmissão europeia faz isso o tempo inteiro de jogo. Dessa forma tenta mostrar o padrão tático dos times e a sua evolução. Para quem gostar de tática ou de entender como o time está disposto, é ótimo. Não raro, quando vamos ao estádio, temos a sensação de ver um jogo diferente, ao perceber a distância entre as linhas, posicionamento etc., por causa disso. Uma emissora na Inglaterra lançará a opção para o espectador escolher ver a partida pela câmera tática. Ou seja, novamente dando a possibilidade de escolha, algo que é muito precário na transmissão brasileira.

Transmissão de jogo da Liga dos Campeões da Europa (Foto: Reprodução)
Sendo assim fica claro que, num país em que a arbitragem tem mais destaque que os jogadores, rodada após rodada, seria impossível transmitir qualquer partida sem dar um close no “soprador do apito”. Entretanto o padrão nacional já faz isso, indiretamente. É o tempo inteiro close no jogador que tem a bola e nunca aberto, demonstrando as possibilidades de jogadas.

Transmissão do Campeonato Francês (Foto: Reprodução)
O pleito da ANAF pode ser considerado justo, mas sem querer (ou querendo) a Emissora já tem como limá-los em caso de derrota na Câmara e no Senado. Ou precisará muito dos seus contatos no Congresso para manter este veto e em último caso, sentar à mesa e entender que dos milhões gastos, todo mundo quer um pouquinho.

Abraços e até a próxima.

Alipio Jr. - colunista do Esporteemidia.com
@alipiojr















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