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Coluna do Albio Melchioretto #62: Qual o futuro dos canais de esporte?

Colunista imagina o futuro dos canais diante da forte concorrência (Foto: Reprodução)
Faz tempo que li uma entrevista de Palomino a algum veículo ligado ao portal UOL falando que o excesso de concorrência inflaciona o mercado de transmissões esportivas. O que parece-me ser uma lógica, e aqui pode existir um problema para televisão por assinatura. O sistema capitalista vive sobre um frágil equilíbrio, onde marolinhas podem causar ondas grandes, da calmaria a um tsunami, basta um trovão. Com a quantidade de canais esportivos que temos por aqui, competições de pouco apelo tem ar de disputa também e sobre estas possibilidades que a coluna desta semana vai divagar.

Alguns exemplos podem tornar mais lúcido este raciocínio, como o canal Fox Sports que aventura-se pela Liga Espanhola de Basquete. A F-Renault World Series que trocou de casa. A Superliga Indiana que é a nova atração da televisão brasileira. No espaço aberto também há os investimentos da televisão pública federal com um bom cardápio de futebol. A Primeira Liga busca um canal dentre os tantos interessados e já nasce mostrando transformações. Também há o Mundial de Box Amador que está nas telinhas. Ao somar as cinco cabeças: Sportv, ESPN, BandSports, Fox Sports e Esporte Interativo, são 11 canais com 264 horas diárias de programação, isto que estou a excluir EI Maxx2 da matemática como também os Premières; Combates e TheGolf Channel. Com 264 horas de programação muitas possibilidades podem ser construídas. É lógico que nenhum canal sobreviverá apenas com eventos “ao vivo”, mas cabe uma reflexão. A quantidade faz emergir uma busca por complementação de grade. Mas algo pode dar errado.

Quero atrever-me num paralelo. Lembro de quando era adolescente algumas leituras eram frequentes. Revista Placar com seu famoso Tabelão; a Gazeta Esportiva e mais tarde o jornal O Lance! Dias seguidos de rodadas comprava o jornal só para ter acesso aos volumosos cadernos de esporte. Isso, nas mais diferentes cidades que já morei ou passei. Ainda tenho este hábito, mas confesso que, cada vez mais, a compra é desencorajada pela ausência de conteúdo. Dos jornais esportivos, poucos restaram e agora muito magros e sem profundidade. Vide o desLance! Alguns faleceram, alteraram-se e os cadernos de esporte são especulativos demais e reflexivos de menos. Trago a lembrança de encontrar inúmeras bancas e maravilhar-me com tantas possibilidades. Aqui em Blumenau, bancas são artigos raros atualmente. O jornalismo de manchetes que se formou com a proliferação da internet acabou com as grandes possibilidades. Muita informação, grande parte dela repetida e de fonte desconhecida e quase nenhuma profundidade na rede e no impresso um final de feira.

Será que a televisão esportiva caminhará para qual rumo? Ela seguirá a mesma lógica dos jornais? Hoje vivemos uma época de muitas possibilidades, pela primeira vez, as quatro divisões do brasileirão tem cobertura. Palomino, na entrevista supracitada, acredita que o inflacionar não durará. A dialética do caminhar histórico confirmará ou não esta tendência. Mas uma certeza aponto, com cinco cabeças esportivas, a manutenção do espectador dependerá da criatividade e da capacidade de renovação porque o mais do mesmo não perdurará.

Albio Melchioretto - colunista do Esporteemidia.com
albio.melchioretto@gmail.com
@amelchioretto










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