"

Coluna do Albio Melchioretto #66: O futebol feminino merece oportunidade

Colunista fala sobre o desprestígio do futebol feminino na TV  (Foto: Divulgação)
Ontem, domingo 08, aconteceu a final da Libertadores Feminina, uma competição que ninguém por aqui viu, Ferroviária de Araraquara versus Colo-Colo de Santiago. Aproveito o momento para fazer uma reflexão sobre a quase ausência do futebol feminino na televisão. Na coluna #22, em 2014, escrevi sobre o fato, na época defendi a tese que a televisão pública brasileira deveria dar espaço à categoria. Continuo com a mesma ideia. Aproveito a nostalgia também para lembrar os longos discurso do saudoso Luciano do Valle em defesa das mulheres da bola. E aqui entra o aspecto que gostaria de trabalhar na coluna de hoje. O futebol feminino para desenvolver-se precisa do participação efetiva da mídia e da federação nacional, seja ela esportiva ou pública.

Na semana que passou, quarta-feira 04, o senador Romário (PSB/RJ), em debate sobre o futebol feminino questiona a falta de oportunidade e como ele poderia ser um vetor de inclusão social e também provocou com a frase: “quantas Martas estamos perdendo a cada ano?”. O Camisa 11 ao pensar a partir da maior jogadora da nossa história faz pensar como a categoria poderia ser diferente. Segundos os dados do IBGE, as mulheres representam 52% da população brasileira e são responsáveis por 66% das decisões de compras das famílias brasileiras, por que não investir nelas no futebol? Mas este desprezo pelas mulheres não é exclusividade nossa, pouca gente viu a Libertadores Feminina na América do Sul pelos países hermanos, buscar informações em sites oficiais, é como achar agulhas em palheiro. No mês de julho passado o jornal Japan Times publicou um longo texto questionando o baixo número de mulheres japoneses jogando a bola. A reflexão vem depois do país conquistar um título e um vice mundial e além da prata olímpica, e aquele editorial aponta a falta de apoio financeiro como ponto considerável da sucesso do Futebol delas na terra do sol nascente. Como pudemos ver, o problema é maior, vai além do nosso quintal.

Além da televisão pública, algumas coisas poderiam ser feitas. O primeiro ponto e fundamental, é o apoio que a CBF deveria prestar ao futebol. A seleção masculina gera muita receita, por que não direcionar parte dela para o desenvolvimento das mulheres no futebol? A CBF como mantenedora do futebol falha e feio ao deixar tudo jogado às traças. Enquanto a preocupação é não prender seu presidente, teremos um campeonatozinho fajuto, como O faz de conta que apoia as mulheres. Temos um campeonato nacional e uma copa, mas são poucos os que acompanham ele apenas sustenta-se por conta de um patrocinador estatal, e aqui temos a grade falha da confederação. Repercussão na mídia é próximo do zero. Outra possibilidade, poderiam colocar as mulheres para jogar a preliminar da Série A. Trazer uma relação entre os times dos homens com os times das mulheres. Já imaginou se cada clube da primeira divisão adotasse um time feminino? Ou ainda, se além da televisão pública, os exibidores oficiais do Brasileirão também mostrassem, pelo menos um jogo das mulheres? Ou ainda o pay-per-view trouxesse o campeonato como cortesia? Talvez todas estas ideias não passem de imaginação deste que escreve e jamais se concretize, sonhar fazer parte. Porém, uma certeza há: se o futebol feminino não estiver em evidência ele jamais se alcançará seu potencial máximo e permanecerá na mediocridade criada pelos dirigentes.

AVISO AOS LEITORES
Ao longo da semana, acrescentei um adendo a coluna passada, a #64, onde cometi um erro de interpretação acerca dos canais Esporte Interativo, para recuperá-la, clique aqui.

Albio Melchioretto - colunista do Esporteemidia.com
albio.melchioretto@gmail.com
@amelchioretto 









Postagem Anterior Próxima Postagem