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Coluna do Albio Melchioretto #68: Se tá na Globo, tá na tela

Colunista comenta declaração de dirigente do Botafogo sobre transmissões de jogos do clubes na Série B (Foto: Reprodução/ESPN.com.br)
A visão dos dirigentes do futebol brasileiro é estranha. Ao longo da semana declarações do Botafogo e uma nota no site do Metropolitano dão as cores para a coluna desta semana. O Botafogo, vem da segunda divisão com uma campanha de volta à elite e o Metropolitano luta sempre pela Série D, mas de lá não passa. A mediocridade do futebol brasileiro, passa e muito pela maneira irresponsável da gestão. Ambos, ao longo da semana, teceram comentários dignos de repúdios. O diretor comercial do clube carioca, Klay Salgado, reclamou da exposição zero deu clube na televisão aberta, enquanto que o site do time catarinense enaltece a “ilustre” presença do presidente da Federação Catarinense de Futebol na reunião do SCClubes para definir a fórmula do Estadual de 2016 – que todo ano muda.

Será que o dirigente do Botafogo tem em sua casa apenas uma anteninha espinha-de-peixe com acesso restrito a Globo local? Das 36 partidas feitas pelo time do Botafogo, 14 delas foi mostrada para o todo o país via RedeTV! e 8 delas inclusive para o Rio de Janeiro a reclamação de exposição zero não procede. E ainda podemos anotar além da RedeTV!, as transmissões da TV Brasil nas últimas rodadas também aconteceram. O comentário no site do Metropolitano causa-me estranheza por dois motivos, elogiar o repugnante presidente (ditador de décadas) e enumerar sua presença, quando nada mais fez do que a obrigação enquanto mantenedor de um campeonato cheio de problemas, vide como ficou a decisão do último e as encrencas dos direitos de transmissão, uma via cruxis quase que anual.

Os fatos me fazem pensar em duas direções. A primeira deles é a forma como os clubes se tornam reféns da exposição da televisão para obtenção de caixa. A estratégia da Globo, na renovação é o adiantamento. Parece-me que os clubes brasileiros não conseguem enxergar outro modelo de receita, senão a dependência dos contratos. E aqui ainda tem um agravante, contrato com a gingante platinada. Basta lembrar o engodo envolvendo a RedeTV! e a licitação com o falecido Clube dos Treze. Lembro de Nelson Rodrigues, “toda unanimidade é burra”, e aqui leio unanimidade como sinônimo de monopólio. E noutro lado, o puxa-saquismo do site do Metropolitano mostra como os clubes são coniventes com esta estrutura arcaica de federações estaduais e gestão de futebol a partir de competições deficitárias. Passou da hora de abrir as amarras do futebol e deixar de associa-lo com federações de presidentes vitalícios. Urge a renovação como também a profissionalização da gestão, dos clubes, das arbitragens e das competições. Como já escrevi em colunas passadas, poder-se-ia aprender com os modelos de competições dos americanos.

Albio Melchioretto - colunista do Esporteemidia.com
albio.melchioretto@gmail.com
@amelchioretto









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