Coluna do Alipio Jr. #72: Limites do ufanismo

Colunista critica menção de site sobre eliminação da seleção de handebol do mundial (Foto: Divulgação)
Quando assistimos programas esportivos é fácil notar o quanto os brasileiros são incensados e valorizados, em alguns casos até excessivamente. Tenho para mim que a imprensa é um reflexo do que acontece com a torcida, preocupada normalmente não em ver o esporte e sim o brasileiro que se destaca.

Alipio Jr. - colunista do Esporteemidia.com
@alipiojr
Com a derrota de José Aldo houve uma tentativa clara de evocar seu período como campeão, justificando, prometendo e fazendo conjecturas, tal como aconteceu quando Anderson Silva foi derrotado e pego no doping. Discutia-se mais a acolhida que os brasileiros deveriam dar ao atleta que o fato em si.

É possível achar milhares de exemplos de como a imprensa gosta de heróis e justifica seus atos ou os supervaloriza, como se acreditasse naquilo que disse o zagueiro David Luiz, chorando, na Copa do Mundo: “Esse povo sofrido precisa de uma alegria”. Não sei vocês, mas me sinto pior que morador do Congo, precisando de uma afago esportivo.

Dou essa longa explicação para que vocês me ajudem a entender qual foi o objetivo do UOL e do jornalista, quando espinafraram os brasileiros participantes da NBA, boa parte deles titulares da Seleção Brasileira, por serem reservas em seus times ou por jogarem em times de menor expressão.

Alguém já viu quantos times há no NBB? É melhor jogar aqui em condições precárias, sem apoio para treinos, com salários atrasados e pequenos ou jogar na maior liga mundial, referência para todas as demais Ligas?

Vi este mesmo site (UOL) criticar a equipe de Handebol, atual campeã. Criticar por ter perdido e ser eliminada, sem nunca mencionar a total falta de apoio, de campeonatos e atenção a estes esportes fora do período Olímpico. Este sim era o momento de tratar esses como superação, pois apesar de todas as dificuldades, destacaram-se.

Não espero que a matéria seja contemplativa em seu teor ou supervalorize um momento que não deve, mas o ufanismo precisa ter o limite do entendimento. Acho que chegamos num ponto em que as pautas são pensadas apenas para gerar “likes” e comentários, perdendo momentos importantes para engrandece-la ao tratar o todo.

Abraços e até a próxima.




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