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Coluna do Albio Melchioretto #81: Futebol não é espaço para coxinhas

Colunista comenta a relação atual do torcedor com a mídia esportiva (Foto: Divulgação/Paysandu)
Quem foi o desgraçado que resolveu que não pode mais ficar de pé na arquibancada? Cadê as bandeiras, os apelidos dos craques, das camisas que não parecem um macacão de F1? A batalha pela não mercantilização do esporte, pela não audaxizlação dos times e a não coxinhalização dos estádios está perdida minha gente!  Assim como se perdeu aquele fabuloso futebol que a gente amava […]

Este fragmento foi lido por Juca Kfouri no Linha de Passe, da ESPN Brasil, na noite de 18 de março. É um fragmento do site RIP FC.  E foi esta a motivação para as linhas semanais. Apesar de um pequeno fragmento, muitas coisas dizem a respeito da relação do torcedor com a mídia. Penso nesta relação justamente numa semana onde conflitos alimentados de maneira velada pela mídia conduzem uma grande massa. Sem ao menos questionar-se sobre a validade de discursos, ovelhas seguem lobos disfarçados em pelo de cordeiros. No futebol não é diferente, ele pode, em certo grau, ser uma metáfora cultural bem significante. Há dois livros que exemplificam esta relação, de quase promiscuidade cultural, o primeiro é o Guia do Politicamente incorreto do Futebol, de Jones Rossi e Leonardo Mendes Jr, e o segunda a Dança dos deuses, de Hilário Franco Jr.

Albio Melchioretto - colunista do Esporteemidia.com
albio.melchioretto@gmail.com
@amelchioretto
O que observo na disputa pelos direitos de transmissão, do Brasileirão, do Espanhol, da Champions, é o mercado superando a paixão do torcedor. Torcer, sofrer, chorar, emocionar são verbos que não cabem mais na arquibancada. São verbos para o sofá. A paixão de arder o coração foi trocada pela racionalização econômica do carnê de torcedor; da loja oficial, das cadeiras cativas e do PPV. O espaço dado pela mídia é um espaço para publicidade, para repostas formatadas na frente de painéis de patrocinadores. Os anúncios saltam aos olhos e são mais importantes que a espontaneidade. Quem quer associar sua marca a fanfarrões? Ninguém. Tudo ficou bonito para qualquer pergunta tola numa coletiva programada para atender interesses da televisão. Tudo cabe no horário deixado.

Em dias de luta política sabemos que a morte está próxima. Ao ver o nascimento do Bom Senso FC, sonhador que sou, tive esperança. Mas junto com a lava janto ela está morrendo. Não haverá mais democracias corintianas, como também gestão coletiva, menos ainda uma acalorada discussão ao beira do campo. Tudo está reduzido na área mista e as perguntas tão iguais quanto as respostas, e a marca é mais forte que qualquer vontade. Tudo é apenas e tão somente espaço de coxinhas, sentados, sem bandeiras com jogadores medianos de nomes compostos escondidos através de patrocinadores mais evidentes que escudos.

Quero de volta o futebol bretão não politizado. O politicamente correto está me cansando.

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