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Albio Melchioretto #90: Os perigos de linha editorial única

Colunista retoma debate sobre a saída da Band do futebol brasileiro (Foto: Reprodução)
Na coluna de hoje vou retomar a temática escrita na coluna #88 onde apontava a saída do futebol brasileiro da tela da Bandeirantes. Depois de dois finais de semana sem futebol ao vivo, algumas linhas podem ser desenhadas. A saída do canal do Morumbi e a não reposição trazem algumas reflexões. Nestas horas os números da audiência ajudam a entender um buraco que foi deixado. Mas buracos podem ser tampados naturalmente. Mas que produto a Bandeirantes usará?

A escritora nigeriana Chimamanda Adichie, em famoso vídeo no YouTube (http://www.youtube.com/watch?v=qDovHZVdyVQ)  alerta que há um perigo quando acreditar-se-á em única verdade. Ao elegê-la ignora-se completamente o diferente, ou pior, o diferente desaparece. Muitas vezes a verdade única reduz nossos discursos. Basta ver como o Brasil trata a ideia de crise. Segundo Adichie, “mostre uma coisa sobre o povo várias vezes e eles assim serão”. Os estereótipos são incompletos. A verdade única é perigosa.

A Bandeirantes fez fama com a equipe de Luciano do Valle através da faixa do “canal do Esporte”. Lembro de passar meus domingos diante da televisão acompanhando diversas competições, até jogos de sinuca. Uma proposta que não faz sentidos nos tempos que vivemos. São tempos de sinais digital, o que abre o leque para quantidade de canais ofertados – em teoria – como também é tempo da expansão da televisão por assinatura. Fazer televisão neste contexto é ser diferente das tentativas construídas nos anos de 1990, por exemplo. Os canais que conseguem fazer esta leitura conseguem um bom rendimento na audiência, os que insistem em grades se perdem...

Albio Melchioretto - colunista do Esporteemidia.com
albio.melchioretto@gmail.com
@amelchioretto
Alguns dados são interessantes pensar. Quando a Band deixou de ser o canal do esporte havia uma onda de supervalorização dos direitos de transmissão em fluxo. Neste mesmo período o projeto da falecida PSN tomou corpo. O próprio canal esportivo americano tornou-se vítima do que ajudou a construir, um hiper-inflacionamento, na sequência de sua criação. Vida e morte em poucos meses. Semelhança ou não, a nova ruptura da Bandeirantes remonta a entrada de outro concorrente que injeta mecanismos de novo hiper-inflacionamento. O que a Turner, via Esporte Interativo, tem feito é uma injeção de novos valores. Diferente da PSN, o EI tem um braço forte. Mas como não há mágica no mercado neoliberal, para alguém ganhar mais dinheiro outros deve perdê-lo.

Outro dado interessante é a migração do Ibope. A Globo abocanhou o ibope que antes era fatiado com a Band. Se estivesse na direção de qualquer canal toparia um acordo suicida com a Globo para compartilhar os direitos submetendo-me as bizarrices medíocres que são acordadas, como escolha do horário e dos jogos. Na primeira rodada de 2015, Band consegui 4 pontos, no domingo da primeira rodada de 2016, no mesmo horário mal chegou a 1. Que canal conseguiria quadruplicar sua audiência? Para qualquer canal que partir de 1 para 4 haverá aumento de 400%, já para Globo que de 2015 para 2016 partiu de 19 para 23 pontos no Ipobe, estão representados pífios 23%. Agora, o contra-argumento, quem pagará a conta? Entre anunciar para 4 pontos e para 19 pontos, escolheria 19...

Segundo Flávio Ricco, SBT, Record e RedeTV! negaram a possibilidade de transmissão. Estas duas últimas perceberam que o aumento da audiência não caminha com o aumento de faturamento. Os espectadores do brasileirão estarão condenados a única linha editorial nas três categorias de televisão (aberta – paga – PPV), quais os perigos de única linha de interpretação construindo uma verdade única no futebol?

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