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Alipio Jr. #93: Heróis da resistência

Colunista comenta a nova determinação da CBF que diminui o campo de trabalho dos repórteres de rádio (Foto: Reprodução)
Sou do tempo do walkman. Daquele colorido, bem grande, que ostentávamos na cintura para ouvir nossas músicas mal gravadas em fita k7 de uma estação de rádio qualquer. Na correria entre trabalhar e estudar, era esse mesmo walkman que me permitia ouvir jogos do meu time ou qualquer outro debate esportivo. Era dele que vinham as novidades, quando não dava tempo de chegar em casa e assistir televisão.

Quando a internet explodiu e todos passaram a ter acesso, decretaram a morte do rádio. Afirmaram que era questão de tempo, já que era possível ter o seu conteúdo televisivo no celular e todos os demais recursos possíveis. Ledo engano. As emissoras de rádio continuaram firmes e fortes.

As emissoras de rádio não acabaram pois com a internet, tornou-se possível acessar rádios de outros estados, outras regiões e ouvir jogos do seu time narrados naquela localidade por puro conhecimento ou por qualquer outro motivo, vá lá. Trouxe uma amplitude que até então não era possível.

Alipio Jr. - colunista do Esporteemidia.com
@alipioj
Essa semana a CBF anunciou diversas mudanças para o Campeonato Brasileiro e dentre essas mudanças, tal qual já havia sido feito em campeonatos estaduais, apenas a emissora que patrocina seu campeonato terá a primazia na hora de escolher e entrevistar algum jogador. O jogador que sempre sai correndo, vai ter que parar pelo menos para ela.

Já escrevi nesse espaço o que penso sobre essas entrevistas no intervalo, mas já que insistem em continua-las, por que canibalizar o espaço das emissoras de rádio? Até compreendo (apesar de não concordar) que a patrocinadora escolha e entreviste primeiro esse ou aquele jogador, mas por que não fazer como na Copa, criando um corredor onde todos passem e deixando livre que o jogador queira ou não falar com os demais profissionais?

Um radialista de uma rádio carioca, do mesmo grupo da emissora de tevê patrocinadora disse em seu perfil de rede social que ser repórter ou profissional de rádio é como ser goleiro no futebol: A cada ano há uma regra que dificulta mais a sua vida, pois as “regras” são uma tentativa de bloquear outras emissoras de tevê que não possuem os direitos televisivos, mas são mal formuladas e prejudicam quem não tem nada a ver com a história.

Em contrapartida, preciso registrar que apesar de ter parecido uma tentativa para driblar a crise, a união da conceituada equipe da CBN-RJ com a histórica equipe da Rádio Globo-RJ foi muito interessante. Pude ouvir alguns jogos nessa rodada e apesar de perder uma opção diferente no dial carioca, houve uma junção entre estilos, o de mais informação com o mais irreverente, mas que mantém as duas rádios no ar, firmes e fortes, heróis da resistência como todos os demais são. 

Um grande abraço e até a próxima.

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