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| Foto: Divulgação |
Como um entusiasta do esporte, tenho observado de perto o aumento dos canais FAST (Free Ad-Supported Streaming Television) e AVOD (Advertising-Based Video-on-Demand), que estão transformando a forma como consumimos conteúdo esportivo. Para conhecer melhor as siglas, o formato FAST oferece conteúdo é linear e o modelo AVOD, é sob demanda diante da escolha. Ambos os modelos são transmitidos via internet. Para contextualizar o amigo leitor, uso 3 serviços, a PlutoTV, o MovieArk (que transmite os mesmos canais do serviço TCL Channel) e SóPlay. Um novo jeito de se ver televisão, popularizado pelas smartTVs e seus inúmeros canais.
A principal vantagem desses canais é a democratização do acesso a transmissões ao vivo e à programação, neste caso com foco na esportiva. Com o advento da TV gratuita suportada por anúncios, fãs de esportes de nicho ou que buscam diversificar suas opções de entretenimento têm a oportunidade de assistir maior gama de jogos e eventos sem o peso financeiro das assinaturas tradicionais. Isso é especialmente relevante em um contexto de corte do cabo, onde muitos consumidores buscam alternativas flexíveis e econômicas. Os canais FAST não apenas ampliam a acessibilidade, mas também podem atrair um público mais amplo para esportes que, de outra forma, seriam marginalizados nos pacotes de TV paga. A PlutoTV dá acesso ao RealMadridTV e o RACE Brasil, por exemplo, além de muitos jogos históricos no FIFA+.
Do ponto de vista do negócio, a chegada dos canais FAST representa uma reconfiguração do ecossistema de distribuição esportiva. Organizações esportivas e detentores de direitos podem ver nos FAST uma nova fonte de receita, complementando os fluxos de receita tradicionais. No entanto, a dependência de anúncios pode exigir ajustes nas estratégias de monetização, como a criação de pacotes híbridos ou a busca por parcerias inovadoras. Para os consumidores, a maior vantagem é a diversidade de opções e a redução de custos. No entanto, a qualidade e a consistência das transmissões, bem como a variedade e a profundidade da cobertura, podem variar. É crucial que os canais FAST equilibrem a monetização com a experiência do espectador, garantindo que a qualidade do conteúdo não seja sacrificada em nome da economia.
Contudo, não se pode ignorar que a monetização baseada em anúncios traz desafios significativos. A principal preocupação é a interrupção do fluxo de anúncios, que pode comprometer a experiência do espectador. Se não bem gerenciados, os intervalos publicitários podem se tornar invasivos, afetando negativamente a qualidade da experiência esportiva. Além disso, a receita gerada por publicidade pode ser volátil e incerta, dependendo muito da audiência e da capacidade de retenção do espectador. Outro ponto crítico é a qualidade da transmissão e a responsabilização do usuário pelo acesso. Os canais FAST podem enfrentar limitações técnicas, como largura de banda insuficiente, resultando em uma experiência inferior à dos canais pagos. Por fim, há o risco de uma saturação do mercado, onde a proliferação de canais FAST pode diluir a atenção e a receita publicitária entre muitos players, dificultando a sustentabilidade a longo prazo. O mercado estadunidense vive a saturação com mais de 2000 mil canais FAST. No mercado brasileiro o NSports trabalha com vários selos, o que pode, em tese, fragmentar o acesso.
Vivemos um novo cenário. Há um avanço significativo. E ainda não entramos nos inúmeros “canais” no YouTube de transmissão esportiva, que é outra seara. Será que a ascensão dos canais FAST ameaça à integridade dos direitos esportivos ou oferece uma oportunidade para diversificar e democratizar o acesso ao esporte, como sugerido pelo fragmento que mencionei no início?
Alguns dos canais FAST Esportivos disponíveis no Brasil:
CazéTV
Acelerqados
Billiard TV
Boxing TV
Canal Goat
DAZN Combat
Desimpididos
Fight Network
GE TV
GPTV
K-Baseball TV
MLB Channel
MotorVision TV
National Sports Channel
NHRA TV
Nsports
PFL
PGA Tour
PlutoTV Esportes
Racer Brasil
RealMadrid TV
RedBullTV
Woohoo Surf
World Poker Tour
Sobre o autor:
Prof. Dr. Albio Fabian Melchioretto (www.albiofabian.com). Doutor em Desenvolvimento Regional. Professor pesquisador ligado a Faculdade SENAC Blumenau, editor do podcast, Tecendo Ideias (Top 100 Education Podcasts).

