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Coluna do professor #443: Rádios que mostram o jogo

Foto: Reprodução

O rádio não morreu. Ele vive! O rádio entendeu que é preciso alterar a sua forma. Desde a padronização das faixas, através do FM, ao uso internet. Graças a alguns aplicativos tenho acesso à rádios do mundo inteiro. E isto é um avanço significativo. Muitas delas, usam o YouTube com imagens de cabines ou filmagens. A Verdinha, usa o espaço da TV Diário para mostrar muita coisa do Ceará em TV aberta. Uma consonância de mídias. 

No cenário atual dos direitos de transmissão esportiva, observa-se um crescimento significativo de veículos, como já tratei em diversas colunas. Neste cenário em expansão, as plataformas de streaming e as redes sociais se tornaram players importantes. A disputa por direitos se tornou mais acirrada, com empresas de tecnologia, tradicionais emissoras e novas plataformas competindo por exclusividade. Este avanço tecnológico e a busca por experiências imersivas têm impulsionado inovações como a inclusão de ângulos inéditos de câmera, realidade aumentada e interação em tempo real via redes sociais, além da introdução de outro tipo de linguagem, como CazéTV tem feito. 

Nos últimos dias, em 12 de fevereiro de 2026, a CBF proibiu rádios e web rádios de captar imagens do jogo. O react continua livre, diferente do que foi debatido no Twiter. Com a mudança, as emissoras continuam autorizadas a transmitir o áudio normalmente, mas não poderão mostrar imagens do jogo. Pois eles possuem um direito.

O YouTube é um terreno fértil para experimentações na transmissão esportiva. A plataforma permite a criação de conteúdo mais ágil e direcionado, com comentários em tempo real, debates pós-jogo e a possibilidade de interação entre espectadores e criadores. A reação do público a mudanças como a proibição da imagem do narrador poderia ser crucial. Há quem veja o narrador como uma parte essencial da experiência, especialmente em esportes com menos cobertura tradicional, onde a voz do narrador pode preencher a lacuna de informações. Por outro lado, muitos fãs jovens e tecnologicamente nativos podem preferir uma experiência mais interativa e visualmente rica, sem a presença constante do narrador.

Mas há algo de importante no debate, os direitos de transmissão. Hoje, no Brasil, com exceção do Athletico Paranaense, como mandante, os torneios nacionais não cerceiam a transmissão. Reconhece-se a importância do rádio, como serviço histórico, permitindo-lhe o acesso gratuito das transmissões. O efeito-react acrescenta outra camada a esta discussão. As rádios, na frequência modulada, constituem um tipo de veículo, mas quando assumem a web, tornam-se outra coisa. E esta outra coisa deve responder a outro regime de contrato. 

Sinto que o desenvolvimento das tecnologias de transmissão avançou mais rápido que o desenvolvimento jurídico. A CBF toma uma atitude drástica no estádio, entendendo que os que realmente pagam a conta, que são aqueles que adquiriram o direito de transmissão, possuem a preferência do espetáculo. Afinal, alguém precisa pagar a conta. Por outro lado, o veto da CBF impede uma diversidade, que é própria do ambiente das mídias sociais em que as rádios e webrádios estão se sustentando. Não se poderia construir um direito de transmissão de estádios para webradios? 

Nota oficial da ACEB:
NOTA OFICIAL DA ACEB (Associação de cronistas esportivos do Brasil) após a repercussão envolvendo as rádios e web rádios. ACEB vem comunicar a toda a imprensa brasileira a respeito dos acontecimentos desta quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026: câmeras ligadas e viradas para dento das cabines de rádio estão autorizadas. Nada mudou. O que não está autorizado é a captação de imagens do campo de jogo para não detentoras de direitos de transmissão. O assunto foi esclarecido nesta sexta-feira por Fabio Seixas, Diretor de Comunicação da CBF, ao Presidente da ACEB (Associação de Cronistas Esportivos do Brasil), Erick Castelhero. Houve um mal-entendido na interpretação do Manual de Competições 2026. Todos os fiscais da CBF receberão as orientações. Depois de confusas decisões tomadas por supervisores de imprensa da CBF em alguns jogos da 3ª rodada do Campeonato Brasileiro de Futebol Masculino, Série A, proibindo emissoras de rádio e webrádio fazerem captação de imagens unicamente de seus próprios profissionais – notadamente nos estados do Rio Grande do Sul e de São Paulo – a ACEB procurou a CBF para esclarecer os fatos. Fica mantido o que foi acordado em reunião realizada no dia 07 de agosto de 2025, entre a Diretoria da ACEB e o presidente da CBF, Samir, Xaud, estando presente o diretor de Comunicação da CBF, Fábio Seixas, que este ponto de atuação da imprensa não sofreria mudança em relação ao que já vinha sendo praticado. Permanece, portanto, o que ficou acordado entre as diretorias da CBF e da ACEB, logo no início do mandato de Samir Xaud.

Sobre o autor:
Prof. Dr. Albio Fabian Melchioretto (www.albiofabian.com). Doutor em Desenvolvimento Regional. Professor pesquisador ligado a Faculdade SENAC Blumenau, editor do podcast, Tecendo Ideias (Top 100 Education Podcasts). 
    
Massaranduba, terça-feira, 15 de fevereiro de 2026.

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