Coluna do professor #460: A Ge TV não foi à Copa do Mundo

Foto: Globo/Estevem Avellar

A CazéTV não alcançou a repercussão e recordes de audiência com a Copa de 2026 por acaso. Ela construiu uma ponte direta com o torcedor que já não se contenta com a transmissão tradicional, e a Globo, ao tentar replicar essa fórmula com a GE TV, mostrou que ainda patina no digital. O projeto nasceu como uma resposta forçada, não como uma necessidade do público, e isso ficou evidente na falta de sintonia com a audiência. Muitas vezes preocupados que podem falar palavrão, mas, qual o seu conteúdo original? Enquanto a concorrência entregava naturalidade e repertório, a GE TV parece um produto ensaiado, sem a espontaneidade que o ambiente online exige.

A ausência de autenticidade e conteúdos exclusivos afastou o público que a Globo tanto queria conquistar, justamente aquele que valoriza a química entre os apresentadores. A CazéTV entendeu que, no digital, a imperfeição e o improviso criam identificação, enquanto a GE TV insistiu em uma fórmula quadrada e engessada. O resultado é uma transmissão sem alma, que não gerava comentários nem nas redes sociais, nem nos bares. A audiência massiva da CazéTV, com transmissões vistas em shoppings e milhões de aparelhos conectados, só escancarou o abismo entre as duas propostas. Os direitos da Copa no YouTube pertencem a Cazé, os jogos da GETV estão no Globoplay e algumas operadoras. 

O torcedor que migrou para as plataformas online busca proximidade e identificação, não um telejornal com roupagem de youtuber. A CazéTV construiu um time coeso, onde cada integrante tinha um papel claro e uma voz ativa, enquanto a GE TV apostou em nomes que não conseguiram criar essa conexão, são ótimos profissionais, mas algo falta na GETV. A tentativa de competir com a CazéTV usando as mesmas ferramentas, mas com outra mentalidade, foi o grande erro estratégico. E a repercussão durante a copa mostra este abismo.

A Globo ainda trata o digital como um apêndice de seu negócio principal, e não como um ecossistema autônomo e pulsante. Enquanto isso, a CazéTV não só dominou as manchetes, como se tornou parte da experiência do torcedor, criando uma comunidade ativa e engajada. A GE TV, por sua vez, ficou invisível, perdida em um mar de conteúdo que o público simplesmente ignorou. Faltou entender que, no digital, o público não consome apenas futebol, ele consome personalidade.

A verdade é que a CazéTV venceu porque nasceu do digital e para o digital, enquanto a GE TV foi um transplante rejeitado. Se a Globo quiser, de fato, competir nesse espaço, precisará enterrar de vez a ideia de que pode controlar a narrativa e apostar em uma reformulação radical, que vá além de trocar peças do tabuleiro. O tempo de adaptação já passou, e a Copa de 2026 deixou claro que o público já fez sua escolha. O sucesso da GETV não é apenas discursivo, ele precisa de conteúdo com exclusividade. Afinal, se a Globo não consegue nem repercutir no ambiente que domina o debate esportivo, por que o torcedor ainda daria uma chance à GE TV na próxima competição?

A coluna agradece o bom comentário de BigBrother na Coluna #459

Sobre o autor
Prof. Dr. Albio Fabian Melchioretto. Doutor em Desenvolvimento Regional. Professor pesquisador ligado a Faculdade SENAC Blumenau, editor do podcast, Tecendo Ideias (Top 100 Education Podcasts) e escreve no Substack sobre o futebol catarinense (https://albiofabianmelchioretto.substack.com/).

Massaranduba, domingo, 5 de julho de 2026.

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