Coluna do professor #461: As bets vão dominar; quer apostar?

Quem diria que a liberação de apostas geraria manipulação de resultados no esporte?

Foto: Alphaspirit/Getty Images

O fenômeno das apostas é um problema de saúde social. E quanto a este pressuposto eu não estou disposto a discutir. O tema já foi tratado nas colunas #432; #425 e #400. O debate ganhou novas proporções após a inserção massiva de Bets nas transmissões da CazéTV, estamos cercados por elas. O que começou como propaganda transformou-se em preocupação com a saúde mental, financeira e a fragilidade do apostar. O usuário das bets, muitas vezes, reconhece quando começa e termina o campo de jogo. 

O problema não está na CazéTV, o canal deu maior visibilidade àquilo que já havíamos normalizado. E as apostas encontram eco no dia a dia do esporte profissional. Na última semana, o portal GE.com publicou uma reportagem de suspeita de manipulação de resultados na Série B do Catarinense, assinada por PH Freitas. O Sport Club Jaraguá, lanterna da competição, com 2,56% de aproveitamento e saldo -41, teve sete jogadores afastados por suspeita de favorecimento de resultado. O clube trocou suas cores da camisa para se adequar ao patrocinador, que por sinal é uma casa de apostas. Parece que as torcidas deram lugar a apostadores. Quem acompanha assiduamente o SC Jaraguá no dia a dia? 

As casas de apostas têm se valido dos comerciais, da publicidade e dos clubes para fazer-se cada vez mais presentes e normalizadas no dia a dia. A partir da próxima sexta-feira, 17 de julho, as bets devem incluir as frases: “Ministério da Fazenda adverte: Apostar pode causar dependência”; “Ministério da Fazenda adverte: Apostar faz você perder dinheiro” ou “Ministério da Fazenda adverte: Aposta não é investimento”. Alerta semelhante ao das embalagens de cigarro. O usuário continua livre, mas agora, é alertado dos perigos que ele incorre diante da imprevisibilidade do futebol. 

O futebol é um universo escuro e com poucas notícias. No caso do SC Jaraguá, o portal GE foi o único que noticiou e outros replicaram, sem dar crédito a fonte primeira, inclusive a mídia da cidade de Jaraguá do Sul. São raros os veículos que acompanham as divisões inferiores do futebol. Muitos jogadores são aliciados por valores superiores aos salários pagos pelos clubes, não estou afirmando que tenha sido o caso do SC Jaraguá. Além disto, as apostas movimentam o desejo de ganhar direito fácil, esquecendo-se que a casa sempre ganha. Neste universo amplo e pouco explorado muitas coisas acontecem, e aquilo que já foi paixão nacional torna-se subterfúgio para explorar, enganar, aliciar e viciar. 

As publicidades na CazéTV são apenas a ponta do iceberg. As intervenções governamentais ainda são superficiais. Urge regular mídias, publicidade e limitar as ações das bets junto aos clubes. Para discutir o problema social e curar a saúde pública, o primeiro passo é a regulação, e ele já foi dado, e agora, quais serão os seguintes? 

Sobre o autor
Prof. Dr. Albio Fabian Melchioretto. Doutor em Desenvolvimento Regional. Professor pesquisador ligado a Faculdade SENAC Blumenau, editor do podcast, Tecendo Ideias (Top 100 Education Podcasts) e escreve no Substack sobre o futebol catarinense (https://albiofabianmelchioretto.substack.com/).

Massaranduba, domingo, 12 de julho de 2026.

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