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Intérpretes se destacam durante a Copa em programas como 'É Campeão'


Talvez não vá ser preciso esperar pela Olimpíada de 2016 ou pela Copa de 2018 para se ter novamente na TV uma mesa redonda esportiva ao vivo com quatro idiomas diferentes. O Diretor executivo do SporTV, Raul Costa Jr., planeja repetir muito em breve a experiência adquirida no ‘É Campeão’, programa realizado ao vivo durante o Mundial da Fifa, com ex-capitães de quatro países distintos. A informação é do Estadão, por Cristiane Padiglione.

“Deu muito trabalho, mas valeu a pena”, diz Costa Jr. “No início estava até um pouco engessado, mas logo foi ganhando ritmo”, avalia.

Antes que os verdadeiros protagonistas entrassem em cena, conta ele, cerca de vinte testes foram feitos com atores que estudaram o ritmo de falar de cada participante: o italiano Fábio Canavarro, o argentino Daniel Passarella, o alemão Lothar Matthäus e Carlos Alberto Torres – embora o brasileiro não demandasse intérprete para o público, teria de ser entendido pelos demais participantes, que usavam fones para entender o que os outros diziam, incluindo o apresentador, André Rizek.

Responsável pela seleção e pelo treinamento dos intérpretes que trabalharam para o SporTV durante a Copa, o francês Yves Bergougnoux dá uma dimensão do expediente. “Tivemos dois desafios. A primeira foi tentar encontrar as soluções linguísticas para fingir que ali havia quatro pessoas falando em português, como se estivessem aqui. Pelo fato de um ter de esperar pela tradução do outro, era difícil conseguir exatamente o mesmo ritmo de conversa de bar, com interlocuções. Mas a gente achou soluções, sobretudo para o alemão, em que o verbo ou a partícula que dá sentido à frase fica no final, e isso atrasava um pouco a interpretação, no início”, conta Bergougnoux.

O segundo desafio foi “formar uma equipe que a priori não era especializada em futebol e que vinha dos quatro cantos do País, com idades entre 27 e 76 anos, e integrar todo mundo”, diz. Com 49 anos de vida, ele já tem mais tempo de Rio de Janeiro do que de terras francesas, e faz questão de diferenciar o termo “tradutor” de “intérprete”, função que exerce e que denomina também os profissionais que selecionou. Coube a Bergougnoux ainda a escolha dos intérpretes responsáveis pela tradução das entrevistas coletivas dadas pelos atletas durante todo o mundial, o que implicou a contratação de 26 profissionais para 12 idiomas.

O time do ‘È Campeão’ era formado por George Bernard Sperber (alemão/português), Juan Hersil (espanhol/português), Martha Moreira (alemão/espanhol), Ursula Pabst (espanhol/alemão) e Marcello Lino (italiano/português). Todos deram expediente em cabines montadas em uma sala da técnica, vizinha ao estúdio onde os ex-capitães faziam o programa, na Ilha Fiscal, no Rio. “Não podíamos correr riscos de delay ou de ter qualquer problema de compreensão agravado pela distância”, explica Raul Costa Jr.

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