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Coluna do Albio Melchioretto #47: Jornalismo sujo

Colunista cita recentes denúncias contra o site Futebol Interior (Foto: Reprodução)
A coluna desta semana não falará do esporte na televisão, como costumeiramente faz. A coluna falará a partir da reportagem do Portal UOL sobre as denúncias contra o site Futebol Interior. Em filosofia usamos o termo ética para designar a disciplina crítico-normativa que estuda as normas do comportamento humano, mediante as quais o homem tende a realizar, na prática, atos identificados com o bem. Bem refere-se aquilo que é bom, para além de qualquer situação. O bem/bom, segundo Kant, está numa ótica universal.

O portal UOL, na seção Esporte, publica uma extensa reportagem de Vinícius Segalla com denúncias relativas ao Futebol Interior. Nela o diretor executivo Artur Eugênio Mathias é acusado por cobrança “mensalidade” para que se fale bem em reportagens, do contrário havendo perseguição, pressões sobre dirigentes, jogadores, clubes chegando até a ofensas pessoais. O diretor do site Futebol Interior, para a reportagem, nega. 

Falcatruas no jornalismo não são novidades, infelizmente. Lembro de uma entrevista na Folha de S. Paulo, quando o entrevista afirma: “você é jornalista ou inocente”. Sim, neste meio a inocência não cabe. Em dias atuais podemos acompanhar as denúncias sobre a TyC junto a Conmenbol e alguns setores da imprensa com medo de respingos do caso FIFA. Como eu não tenho nada com que me preocupar, pergunto: por que ficar com medo? Medo está intimidade ligado ao popular “rabo preso”. Diante do contexto, qual é de fato o papel do jornalismo esportivo? Seria a construção de bandidos e mocinhos? Esta postura evidencia a falta de postura ética. É crime. A construção de factoides deve ser punida e perseguida até seu fim. O consumidor de notícias, diante da tela, deve ter a certeza da leitura e da escolha que está fazendo. Estranha-me e decepciona-me profundamente a pouca repercussão que tal caso teve ao longo da semana. É preciso, que os órgãos competentes apurarem os fatos, e caso comprova-se, punir com o rigor da lei. As fontes de notícias, prestam um serviço à comunidade e devem ser pautados por princípios da verdade. Deve ser, antes de qualquer outra coisa, éticas. 

Ao afirmar isto, podem me chamar de moralista que não vou me incomodar. As fonte de notícias não podem brincar com a opinião pública. Passamos por vezes a questionar o monopólio, a censura, o controle de informação, e não poderia ser diferente diante da fabricação de fatos. Os fatos devem estar acima da paixão de torcedor ou de gostos pessoais. O futebol precisa urgentemente puxar a descarga e eliminar sanguessugas que utilizam deste meio para construir seus impérios, seja no campo, seja na gestão ou nos noticiários. Liberdade de imprensa não significa liberdade de manipulação, liberdade de imprensa é responsabilidade social.

Albio Melchioretto - colunista do Esporteemidia.com
albio.melchioretto@gmail.com
@amelchioretto






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