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| FOTO: ANGELO PIERETTI/GRÊMIO FBPA |
Canais de nicho se popularizaram no Brasil a partir da expansão da televisão paga. A partir desse movimento, alguns grupos tentaram levar a mesma lógica para a televisão aberta. Foi assim com a Rede 21, em sua primeira fase; antes disso, com a MTV Brasil, do Grupo Abril; e, posteriormente, com iniciativas voltadas para notícias, como a Record News, além de um grande caso de sucesso, o Esporte Interativo. No entanto, todos enfrentaram a mesma dificuldade: superar a bolha e alcançar um público mais amplo. Dos exemplos citados, apenas um sobreviveu ao passar dos anos, e ainda assim está longe do Top 5 de audiência da TV aberta.
Em agosto do ano passado, em 2025, o Grupo Kalunga lançou seu canal esportivo na televisão aberta. O grupo, que assumiu os espólios da MTV Brasil após o fracasso da LoadingTV, apresentou ao público o XSports, com foco no futebol internacional, além de basquete, Nascar e outras modalidades, num grande acordo como o grupo Disney. Sabe-se que televisão é hábito. Apesar do sucesso relativo nos primeiros meses, o canal registrou índices interessantes de audiência agora no mês de janeiro com as transmissões da Copinha. Com ela o XSports passou a alcançar números realmente significativos.
Após seis meses no ar, já se tornaram recorrentes as notícias de transmissões do XSports que ultrapassam 1 ponto de audiência em São Paulo. Alguns jogos da Copinha chegaram a atingir picos de 3 pontos. A questão que intriga é: como pode um canal que exibe algumas das melhores competições de futebol do planeta, embora com boa audiência, possa explodir justamente com jogos de futebol de base?
Como já afirmamos outras vezes, vale a frase pronta: o brasileiro prefere seu time do coração ao futebol em si. O apego emocional atraiu para o canal torcedores que talvez não o acompanhassem de outra forma. Os jogos dos grandes clubes da capital paulista comprovaram isso. Além disso, a Copinha ocorre em horários mais flexíveis e durante o período de férias, o que facilita o acompanhamento. Soma-se a isso o charme da imprevisibilidade — algo que marcou o Roma Barueri em 2001 e o Guanabara City nesta edição.
O apego ao que faz parte do cotidiano também atrai. Essa foi uma das apostas do finado Esporte Interativo. Após relativo sucesso com o futebol internacional, o canal voltou-se ao futebol nacional. A iniciativa levou à criação de um segundo canal, o Esporte Interativo Nordeste, que transmitia diversos campeonatos estaduais e outras competições. Apesar do investimento no futebol local — incluindo alguns jogos do Brasileirão — o modelo se mostrou financeiramente inviável ao longo do tempo. O canal, vendido ao grupo Turner, hoje é uma faixa dentro do TNT e ocupa espaço no HBO Max, sem identidade.
A trajetória do Esporte Interativo pode servir de referência ao XSports. O sucesso da Copinha é real, tanto na TV aberta quanto na internet, mas representa apenas uma entre várias possibilidades. O XSports opera em um nicho e se diferencia dos nomes já consolidados porque seu foco está no evento esportivo, e não no jornalismo. Resta saber quais caminhos o canal poderá seguir após este momento de destaque impulsionado pelo futebol nacional.
Sobre o autor:
Prof. Dr. Albio Fabian Melchioretto (www.albiofabian.com). Doutor em Desenvolvimento Regional. Professor pesquisador ligado a Faculdade SENAC Blumenau, editor do podcast, Tecendo Ideias (Top 100 Education Podcasts).
Massaranduba, domingo, 18 de janeiro de 2026.

