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Coluna do professor #458: A metamorfose do torcedor de copa

Foto: Reprodução/TV Globo

Em maio passado, a CNN Esportes S/A reportou que 85% dos brasileiros não demonstravam entusiasmo em relação à Copa do Mundo. Na ocasião, o programa ponderava que as pessoas ainda estavam distantes com a Copa e não se mostravam preocupadas com o evento. E agora? Como está o engajamento para a copa? 

Confesso que na atual edição senti falta de dois grandes símbolos das copas, as tabelas impressas e as bandeiras do Brasil espalhadas pelas casas. A primeira tabela que vi, era de meu falecido pai, uma da Argentina-78. Depois disso, por várias edições colecioneis as tabelas. Nesta edição não vi em nenhum lugar uma tabela impressa. Há os diferentes aplicativos que oferecem tabelas, métricas e dados, mas não é a mesma coisa, não é a marcação com caneta em papel. A relação do fã com os jogos é diferente. Quem jogará amanhã mesmo?  

Hasteei minha primeira bandeira do Brasil na Itália-90 e a retirei com lágrimas após a vitória da Argentina. Na minha rua a única bandeira do Brasil que vejo é uma hasteada por razões políticas. Cheguei a planejar a confecção de uma com dizeres, “é pra copa”, mas abandonei a ideia. As bandeiras mostram um certo interesse pela torcida. Não sou o torcedor fervoroso, mas não me agrada ver a seleção da CBF perder!

Entretanto, durante os dois primeiros jogos do Brasil havia um silêncio sepulcral na rua. Nenhum movimento. Não ouvi gritos ou vuvuzelas nos gols, mas, o silêncio da estrada deixa evidente que as pessoas podem estar diante das telas acompanhando os jogos. 

Ao mesmo tempo, as pessoas na rua, no café, no trabalham falam sobre a copa. Traçam diferentes ideias, defendem argumentos dos mais variados, de geniais aos mais tolos, uma Babel discursiva. A copa é o assunto do momento. A copa está na boca das pessoas. Se está, há outro tipo de interesse, diferente daquele diagnosticado em maio. O andar da copa faz a pessoas pensarem a copa, e um dos grandes elementos é a convergência de mídias que a copa proporciona, assim como é também nas Olimpíadas. 

Se os brasileiros estão mais animados não tenho dados para afirmar, mas há indícios que a copa não é um assunto despercebido. Pode-se não entender os movimentos de campo durante o jogo, mas o jogo, este chama a atenção de alguma maneira. E a beleza da copa, de reunir pessoas que acompanha futebol apenas a cada 4 anos, continua.

Massaranduba, domingo, 21 de junho de 2026.

Sobre o autor:
Prof. Dr. Albio Fabian Melchioretto. Doutor em Desenvolvimento Regional. Professor pesquisador ligado a Faculdade SENAC Blumenau, editor do podcast, Tecendo Ideias (Top 100 Education Podcasts) e escreve no Substack sobre o futebol catarinense (https://albiofabianmelchioretto.substack.com/).

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1 Comentários

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  1. Posso estar muito equivocado, mas a polarização política e o interesse cada vez menor do brasileiro pela seleção brasileira (que aliás tem o pior elenco desde 2010) têm atrapalhado muito. Confesso, sou muito fanático pelo meu clube mas pouco engajado com a seleção canarinho Assisto aos jogos do Brasil com o mesmo entusiasmo de qualquer outro jogo da maior competição de futebol do planeta.

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