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Quadro do 'Esporte Espetacular' trata mulheres como 'burras', afirmam feministas



Criado para mostrar que mulher também entende futebol, o quadro Bolsa Redonda, exibido dentro do 'Esporte Espetacular', da TV Globo, tem recebido críticas de homens e mulheres fãs do esporte. Para feministas, a mesa-redonda tem elementos machistas e trata as mulheres como "burras".

Veiculado quinzenalmente desde 10 de novembro de 2013, Bolsa Redonda faz uma releitura das tradicionais mesas-redondas esportivas, porém com quatro mulheres. Integram o elenco as jornalistas Glenda Kozlowski e Fernanda Gentil, a atriz Christine Fernandes e a escritora Thalita Rebouças, que assumidamente não entende nada de futebol.

Algumas atuações chegam a ser constrangedoras. Na edição de 16 de fevereiro, Thalita comentou que leu sobre a contratação de um volante de base pelo Flamengo. Além de comparar a posição do jogador com um volante de carro, a escritora fez piada remetendo ao universo feminino: "Esse negócio de base é um jogador metrossexual que usa base para tapar os poros?", brincou. Depois, Fernanda Gentil explicou que volante de base é um atleta jovem, das categorias de base do clube.

Na opinião da professora da UFC (Universidade Federal do Ceará) Lola Aronovich, a participante que faz perguntas óbvias para homens mantém o senso comum (e machista) de que as mulheres não sabem nada de futebol.

"A ideia de ter uma mulher que não entende nada de futebol parece atender a dois propósitos: o de tentar atrair telespectadores também ignorantes no assunto e o de fazer que espectadores riam da 'burrice' feminina", afirma Lola Aronovich, autora do blog feminista Escreva Lola Escreva.

"O quadro utiliza-se de muitos clichês de gênero e, apesar de ter uma proposta que defende ser inclusiva da mulher no meio esportivo, acaba se tornando mais uma forma de chacota e discriminação a elas", afirma Mariane da Silva Pisani, doutoranda em Antropologia Social pela USP (Universidade de São Paulo) e integrante do Instituto de Estudos de Gênero da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

Estereótipos

O estereótipo feminino aparece logo na abertura. O nome Bolsa Redonda remete a um acessório feminino. Na vinheta, mulheres aparecem de salto alto carregando sacolas de compras. Em seguida, o cenário verde do Esporte Espetacular dá lugar a um ambiente cor-de-rosa.

"O nome do quadro já é uma estupidez, Bolsa Redonda. Não faz nenhum sentido. A abertura com figuras de salto alto e sacolas de compras remete a qualquer coisa, menos a esportes. Lembra a abertura de programas como Mulheres Ricas [da Band] ou de qualquer programa que se guia por estereótipos como moda, maquiagem, cabelo, consumismo, futilidades, fofocas", opina Lola Aronovich.

"Mesmo que as mulheres passem a compreender de fato o esporte, espera-se que elas continuem se colocando no seu lugar de mulher, sendo bonitas, femininas, um tanto burrinhas e ingênuas e que estejam em campo para dar um "colorido diferente, com luzes cor-de-rosa, batom, salto alto e bolsa", analisa Mariane da Silva Pisani.

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